O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO VI 1576

reabilitarem; e lhes são levadas em conta as menores boas aspirações da alma. Segundo os dogmas das penas eternas, ao contrário, no inferno estão confundidos os grandes e os pequenos culpados, os culpados de um dia e os cem vezes reincidentes. Os endurecidos e os arrependidos; tudo está calculado para mantê-los no fundo do abismo; nenhuma prancha de salvação lhes é oferecida; uma única falta ali o precipita para sempre, sem que seja levado em conta o bem que se fez. De que lado se encontra a verdadeira justiça e a verdadeira bondade?

Essa evocação não foi o fato do acaso; como deveria ser útil a esse infeliz, os Espíritos que velam sobre ele, vendo que ele começava compreender a enormidade de seus crimes, julgaram que era chegado o momento de dar-lhe um socorro eficaz, e foi então que conduziram as circunstâncias propícias. É um fato que vimos se produzir muitas vezes.

Pergunta-se, a este respeito, o que se tornaria ele se não fora evocado, e o que é de todos os Espíritos sofredores que não podem sê-lo, ou aos quais não se pensa. A isso foi respondido que os caminhos de Deus, para a salvação de suas criaturas, são inumeráveis; a evocação é um meio de assisti-los, mas certamente não é o único, e Deus não deixa ninguém no esquecimento. Aliás, as preces coletivas devem ter, sobre os Espíritos, acessíveis ao arrependimento, a sua parte de influência.

Deus não poderia subordinar a sorte dos Espíritos sofredores aos conhecimentos e à boa vontade dos homens. Desde que estes puderam estabelecer relações regulares com o mundo invisível, um dos primeiros resultados do Espiritismo foi ensinar-lhes os serviços que, com a ajuda dessas relações, podem dar aos irmãos desencarnados. Deus quis, por esse meio, provar-lhes a solidariedade que existe entre todos os seres do Universo, e dar uma lei da Natureza por base ao princípio da fraternidade. Abrindo esse campo novo ao exercício da caridade, mostra-lhes o lado verdadeiramente útil e sério das evocações, desviada até mesmo de seu fim providencial pela ignorância e pela superstição. Os Espíritos sofredores, portanto, em nenhuma época, tiveram falta de socorro, e se as evocações lhes abrem um meio caminho de salvação, os encarnados com isso ganham talvez mais ainda, naquilo que são, para eles, novas ocasiões de fazerem o bem, instruindo-se sobre o verdadeiro estado da vida futura.

JACQUES LATOUR

assassino, condenado pelo tribunal de justiça de Foix, executado em setembro de 1864.

Numa reunião espírita de sete a oito pessoas, que