O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO VII 1590

CAPÍTULO VII

ESPÍRITOS ENDURECIDOS

LAPOMMERAY

Castigo pela luz.

Numa das sessões da Sociedade de Paris, onde se discutira a questão da perturbação que, geralmente, se segue à morte, um Espírito, ao qual ninguém aludira e não se pensava evocar, se manifesta espontaneamente pela comunicação seguinte; embora não fosse assinada, nela se reconheceu, sem dificuldade, um grande criminoso que a justiça humana vinha de alcançar.

"Que falais de perturbação? Por que essas vãs palavras? Sois sonhadores e utopistas. Ignorais perfeitamente as coisas com a quais pretendeis vos ocupar. Não, senhores, a perturbação não existe, salvo, talvez, nos vossos cérebros. Estou tão francamente morto quanto possível, e vejo claro em mim, ao redor de mim, por toda a parte!... A vida é uma lúgubre comédia! Desastrados aqueles que se demitem da cena, antes da queda da cortina!... A morte é um terror, um castigo, um desejo, segundo a fraqueza ou a força daqueles que a temem, a desafiam ou imploram-na. Para todos, ela é uma amarga zombaria!... A luz me ofusca e penetra, como uma flecha aguçada, a sutileza de meu ser... Castigou-se-me pelas trevas da prisão, e acreditou-se castigar-me pelas trevas do túmulo, ou aquelas sonhadas pelas superstições católicas. Pois bem! Sois vós, senhores, que suportais a obscuridade, e eu, o degradado social, plano acima de vós... Eu quero permanecer eu!... Forte pelo pensamento, desdenho as advertências que ressoam ao meu redor...Vejo claro... Um