O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO VII 1592

ponto de vista das existências, inativos e na espera; entretanto, podem expiar, desde que o seu orgulho, a tenacidade formidável e rebelde de seus erros não os retenha, no momento de sua ascensão progressiva. Disso tendes um exemplo terrível na última comunicação desse criminoso endurecido, se debatendo contra a justiça divina que o constrange depois da dos homens. Então, nesse caso, a expiação, ou antes o sofrimento fatal que os oprime, em lugar de lhes aproveitar e de fazê-los sentir a profunda significação de suas penas, exalta-os na revolta, e faz brotar neles esses murmúrios que, nas Escrituras, em sua poética eloqüência, chama ranger de dentes; imagem por excelência! sinal do sofrimento humilhado, mas insubmisso! Perdido na dor, mas cuja revolta é bastante grande ainda para recusar reconhecer a verdade da pena, e a verdade da recompensa!

Os grandes erros, freqüentemente, e mesmo quase sempre, continuam no mundo dos Espíritos; do mesmo modo as grandes consciências criminosas. Ser ele, apesar de tudo, e se pavonear diante do infinito, parece aquela cegueira do homem que contempla as estrelas e que as toma por arabescos de um teto, tal como acreditavam os Gauleses do tempo de Alexandre.

Há o infinito moral! Miserável, ínfimo é aquele que, sob o pretexto de continuar as lutas e as fanfarrices abjetas da Terra, não vê mais longe, no outro mundo, que este! Para aquele a cegueira, o desprezo dos outros, a egoísta e mesquinha personalidade e a detenção do progresso! Não é senão muito verdadeiro, ó homens, que há um acordo secreto entre a imortalidade de um nome, para deixar na Terra, e a imortalidade que conservam realmente os Espíritos em suas provas sucessivas.

LAMENNAIS.

II

Precipitar um homem nas trevas ou nas ondas de luz: o resultado não é o mesmo? Num e no outro caso, não vê nada do que o cerca, e se habituará, mesmo mais rapidamente, à sombra que à triste claridade elétrica na qual pode estar emergido. Portanto, o Espírito que se comunicou na última sessão, exprime bem a verdade de sua situação quando exclama: "Oh! Eu me livraria bem desta odiosa luz!" Com efeito, essa luz é tanto mais terrível, tanto mais pavorosa,