O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO VII 1594

III

A justiça humana não faz exceção da individualidade dos seres que ela castiga; medindo o crime pelo próprio crime, atinge indistintamente aqueles que o cometeram, e a mesma pena alcança o culpado sem distinção de sexo, e qual seja a sua educação. A justiça divina procede de outro modo; as punições correspondem ao grau de adiantamento dos seres às quais são infligidas; a igualdade do crime não constitui a igualdade entre os indivíduos; dois homens culpados no mesmo grau podem estar separados pela distância das provas que mergulham um na opacidade intelectual dos primeiros círculos iniciadores, ao passo que o outro, tendo-os ultrapassado, possui a lucidez que livra o Espírito da perturbação. Não são, então, mais as trevas que castigam, mas a acuidade da luz espiritual; ela atravessa a inteligência terrestre, e fá-la sentir a angústia de uma praga, posta ao vivo.

Os seres desencarnados que perseguem a representação material de seu crime sofrem o choque da eletricidade física: sofrem pelos sentidos; aqueles que já estão desmaterializados pelo Espírito sentem uma dor muito superior que aniquila, com suas ondas amargas, ao recordar os fatos, para não deixar subsistir a ciência de suas causas.

O homem pode, pois, apesar da criminalidade de suas ações, possuir um adiantamento interior, e ao passo que as paixões o fazem agir como um animal, as suas faculdades aguçadas elevam-no acima da espessa atmosfera das camadas inferiores. A ausência de ponderação, do equilíbrio entre o progresso moral e o progresso intelectual, produziu as anomalias muito freqüentes nas épocas de materialismo e de transição.

A luz que tortura o Espírito culpado é, pois, e bem, o raio espiritual inundando de claridades os refúgios secretos de seu orgulho, e descobrindo-lhe a inutilidade de seu ser fragmentário. Estão aí os primeiros sintomas e as primeiras angústias da agonia espiritual, que anunciam a separação ou dissolução dos elementos intelectuais, materiais, que compõem a primitiva dualidade humana, e devem desaparecer na grande unidade do ser perfeito.

JEAN REYNAUD.

Estas três comunicações, obtidas simultaneamente, se