O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO VII 1602

P. Quem sois? Este nome é de um homem ou de uma mulher? – R. Homem, e tão infeliz quanto possível. Sofro todos os tormentos do inferno.

P. Se o inferno não existe, como podeis sentir-lhe os tormentos? – R. Pergunta inútil. – Se disso me dou conta, outros

podem ter necessidade de explicação. – R. Com isto não me inquieto.

P. O egoísmo não está no número de causas de vossos sofrimentos? – R. Talvez.

P. Se quereis ser aliviado, começai por repudiar os vossos maus pendores. – R. Não te inquietes com isso, não é teu assunto; comece por orar por mim como pelos outros, ver-se-á depois. – Se não me ajudais com o vosso arrependimento, a prece será pouco eficaz. – R. Se falas em lugar de orar, tu me avançarás pouco.

P. Desejais, pois, avançar? – R. Talvez; não se sabe. Vejamos se a prece alivia os sofrimentos; é o essencial. – Então, juntai-vos a mim com a vontade firme de obter alívio. – R. Vá sempre.

P. (Depois de uma prece do médium.) Estais satisfeito? – R. Não como gostaria. – Um remédio aplicado pela primeira vez não pode curar imediatamente uma doença antiga. – R. É possível. – Quereis retornar? – R. Sim, se me chamardes.

O guia do médium. Minha filha, terás dificuldades com este Espírito endurecido, mas não haveria pouco mérito em salvar aqueles que não estão perdidos. Coragem! Persevera, e conseguirás. Não há tão culpados que não se possa conduzi-los pela persuasão e o exemplo, porque os Espíritos mais perversos acabam por se emendar com o tempo; se não se triunfa logo em seguida em conduzi-los aos bons sentimentos, é que, com freqüência, é impossível, mas o trabalho que se toma não está perdido. As idéias que se lançam neles, agitam-nos e fá-los refletir apesar deles; são sementes que cedo ou tarde produzirão seus frutos. Não se derruba uma rocha com o primeiro golpe de picareta.

O que te digo aí, minha filha, aplica-se também aos encarnados, e deves compreender porque o Espiritismo, mesmo nos crentes firmes, não faz imediatamente homens perfeitos. A crença é um primeiro passo; a fé vem em seguida, e a transformação terá o seu turno; mas, para muitos,