O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. V - CONSIDERAÇÕES SOBRE A PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS 161

lado. Se está provado que, sem a reencarnação, as coisas que existem são impossíveis, se certos ponto do dogma não podem ser explicados senão por este meio, é preciso admitir-se e reconhecer-se que o antagonismo desta doutrina e desses dogmas não é mais que aparente. Mais tarde mostraremos que a religião está menos distanciada do que se pensa, desta doutrina, e que não sofreria mais do que já sofreu com a descoberta do movimento da Terra e dos períodos geológicos que, à primeira vista, pareceram desmentir os textos sagrados. O princípio da reencarnação ressalta, aliás, de várias passagens das Escrituras e se encontra notavelmente formulado, de maneira explícita no Evangelho:

"Quando desciam do monte (após a transfiguração), Jesus lhes ordenou, dizendo: A ninguém conteis do que acabais de ver, até que o Filho do homem seja ressuscitado de entre os mortos. Os seus discípulos então o interrogaram dizendo: Por que pois, dizem os escribas que é preciso que Elias venha primeiro? Mas Jesus lhes respondeu: Em verdade, Elias virá primeiro, e restabelecerá todas as coisas. Mas declaro-vos que Elias já veio, e não o conheceram, mas fizeram-lhe sofrer tudo o que quiseram. Assim farão eles também morrer o Filho do homem. Então entenderam os discípulos que lhes falara de João Batista" (São Mateus, cap. XVII).

Uma vez que João Batista era Elias, há, pois, uma reencarnação do Espírito ou da alma de Elias no corpo de João Batista.

Qualquer que seja, de resto, a opinião que se tenha sobre a reencarnação, que se a aceite ou não, se existe deve ser suportada, não obstante toda a crença em contrário. O ponto essencial é que o ensinamento dos Espíritos é eminentemente cristão: apóia-se na imortalidade da alma, nas penas e recompensas futuras, na justiça de Deus, no livre arbítrio do homem, na moral do Cristo, não sendo, portanto, anti-religioso.

Raciocinamos, como o dissemos, abstração feita de todo ensinamento espírita - que para certas pessoas não tem autoridade - que, se nós, e tantos outros, adotamos a opinião da pluralidade das existências, não é só porque ela nos veio dos Espíritos, mas porque nos pareceu a mais lógica e a única que resolveu essas questões, até então insolúveis.

Viesse ela de um simples mortal e a teríamos adotado