O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. V - CONSIDERAÇÕES SOBRE A PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS 162

da mesma forma e não hesitaríamos mais tempo em renunciar às nossas próprias idéias. Do momento que um erro está demonstrado, o amor-próprio tem mais a perder, que a ganhar, se se obstina em uma idéia falsa. Do mesmo modo nós a teríamos repelido, embora vinda dos Espíritos, se nos parecesse contrária à razão, como repelimos tantas outras, porque sabemos por experiência que não é preciso aceitar cegamente tudo o que vem deles, como aquilo que vem da parte dos homens. Seu primeiro título, para nós, antes de tudo, é de ser lógico, mas existe outro que é de ser confirmado pelos fatos: fatos positivos, e, por assim dizer, materiais, que um estudo atento e racional pode revelar a qualquer um que se dê ao trabalho de observar com paciência e perseverança, na presença daqueles que não permitem mais a dúvida. Quando esses fatos se popularizarem como os da formação e do movimento da Terra, será necessário reconhecer a evidência, e os seus opositores terão gasto em vão os argumentos contrários. Reconheçamos, pois, em resumo, que a doutrina da pluralidade das existências é a única que explica isto que, sem ela, é inexplicável; que ela é eminentemente consoladora, conforme a mais rigorosa justiça e é, para o homem, a âncora de salvação dada por Deus em sua misericórdia.

As próprias palavras de Jesus não podem deixar dúvidas a respeito.

Eis o que diz no Evangelho segundo São João, capítulo III:

3. "Jesus, respondendo a Nicodemos, disse: Em verdade, em verdade te digo, que se um homem não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.

4. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer uma segunda vez?

5. Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se um homem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te espantes do que te disse: É preciso que nasçais de novo." (Ver a seguir o artigo Ressurreição da carne, item 1010).