O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO VIII 1621

de reconhecimento, e que o seu devotamento ajuda a avançar. Não sabeis todos os efeitos, de simpatia ou antipatia, que essas relações anteriores produzem no mundo. Não, a morte não interrompe essas relações, que se perpetuam, com freqüência, de século em século.

P. Por que esses exemplos de devotamento de servidores são hoje tão raros? – R. É necessário disso acusar o espírito de egoísmo e de orgulho de vosso século, desenvolvido pela incredulidade e pelas idéias materialistas. A fé verdadeira se vai pela cupidez e o desejo do ganho, e com ela os devotamentos. O Espiritismo, conduzindo os homens ao sentimento da verdade, fará renascer as virtudes esquecidas.

Nada pode, melhor que este exemplo, fazer ressaltar o benefício do esquecimento das existências anteriores. Se o Sr. de G... se lembrasse do que fora o seu jovem empregado, ficaria muito embaraçado com ele, e não o teria mesmo considerado nessa condição; entravaria assim a prova que foi proveitosa a ambos.

ANTÔNIO B...

Enterrado vivo. – A pena de talião.

O Sr. Antonio B..., escritor de mérito, estimado por seus concidadãos, tendo cumprido com distinção e integridade funções públicas em Lombardie, caiu, por 1850, em conseqüência de um ataque de apoplexia, num estado de morte aparente que se tomou, infelizmente, como isso ocorre algumas vezes, pela morte real. O erro era tanto mais fácil quanto se acreditou perceber, no corpo, sinais de decomposição. Quinze dias depois do sepultamento, uma circunstância fortuita determinou à família pedir a sua exumação; tratava-se de um medalhão esquecido por descuido no caixão; mas o espanto dos assistentes foi grande quando, na abertura, reconheceu-se que o corpo mudara de posição, que estava revirado, e, coisa horrível! Uma das mãos estava em parte comida pelo defunto. Manifestara-se, então, que o infeliz Antonio B... fora enterrado vivo; deve ter sucumbido sob a opressão do desespero e da fome.

O Sr. Antonio B..., evocado na Sociedade de Paris, em agosto de 1861, a pedido de um dos seus parentes, deu as seguintes explicações: