O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO VIII 1623

vez que é necessário vo-lo dizer, que numa existência anterior, eu murara uma mulher, a minha! Toda viva numa pequena adega! Foi a pena de talião que devia aplicar-me. Dente por dente, olho por olho.

9. Nós vos agradecemos por consentirdes em responder às nossas perguntas, e pedimos a Deus vos perdoar o passado em favor do mérito de vossa última existência. – R. Eu retornarei mais tarde; de resto, o Espírito de Erasto quererá completar.

Instruções do guia do médium.

O que deveis retirar deste ensinamento é que todas as vossas existências se ligam, e que nenhuma é independente das outras; os cuidados, a confusão, como as grandes dores

que ferem os homens, são sempre as conseqüências de uma vida anterior criminosa, ou mal empregada. Entretanto, devo vos dizer, os fins semelhantes ao de Antônio B... são raros, e esse homem, cuja última existência foi isenta de censuras, terminou desse modo, é que solicitara, ele mesmo, uma morte semelhante, a fim de abreviar o tempo de sua erraticidade e atingir mais rapidamente as esferas elevadas. Com efeito, depois de um período de perturbação e de sofrimento moral para expiar ainda o seu crime apavorante, ser-lhe-á perdoado e ele se elevará para um mundo melhor, onde reencontrará a sua vítima, que o espera, e que o perdoou há muito tempo. Sabei, pois, aproveitar desse exemplo cruel, para suportar com paciência, ó meus caros espíritas, os sofrimentos corpóreos, os sofrimentos morais, e todas as pequenas misérias da vida.

P. Que proveito pode tirar a Humanidade de semelhantes punições? – R. Os castigos não são feitos para desenvolver a Humanidade, mas para castigar o indivíduo culpado. Com efeito, a Humanidade não tem nenhum interesse em ver os seus sofrerem. Aqui a punição foi apropriada à falta. Por que os loucos? Por que os cretinos? Por que as pessoas paralíticas? Por que aqueles que morrem no fogo? Por que aqueles que vivem anos nas torturas de uma longa agonia, não podendo nem viver nem morrer? Ah! credê-me, respeitai a vontade soberana e não procureis sondar a razão dos decretos providenciais; sabei-o! Deus é justo e faz bem o que faz.

ERASTO.