O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO VIII 1628

uma classe onde nada custa para se assegurar o bem-estar, e onde foi cumulado de dons e de honras. Ambicioso de glórias e riquezas, querendo atingir o apogeu da ciência, não tendo em vista aliviar os seus irmãos, porque não era filantropo, mas em vista de aumentar a sua reputação, e por conseqüência a sua clientela, nada lhe custou para conduzir a bom fim os seus estudos. A mãe era martirizada em seu leito de sofrimento, porque ele previa um estudo nas convulsões que provocava. A criança era submetida às experiências que deveriam dar-lhe a chave de certos fenômenos; o velho via apressar o seu fim; o homem vigoroso sentia-se enfraquecido pelas experiências que deveriam constatar a ação de tal ou de tal bebida, e todas essas experiências eram tentadas sobre o infeliz sem desconfiança. A satisfação da cupidez e do orgulho, da sede de ouro e de renome, tais foram os móveis de sua conduta. Foram necessários séculos e provas terríveis para domar esse Espírito orgulhoso e ambicioso; depois o arrependimento começou a sua obra de regeneração, e a reparação se acaba, porque as provas desta última existência são brandas perto daquelas que suportou. Coragem, pois, se a pena foi longa e cruel, a recompensa concedida à paciência, à resignação e à humildade será grande.

"Coragem, todos vós que sofreis; pensai no pouco de tempo que dura a vossa existência material; pensai nas alegrias da eternidade; chamai a vós a esperança, essa amiga devotada de todo coração sofredor; chamai a vós a fé, irmã da esperança; a fé que vos mostra o céu, onde a esperança vos faz penetrar antes do tempo. Chamai também a vós esses amigos que o Senhor vos dá, que vos cercam, vos sustentam e vos amam, e cuja solicitude constante vos conduz àquele a quem ofendestes transgredindo as suas leis."

Depois de sua morte, a senhora B..., deu, tanto à sua filha, quanto à Sociedade Espírita de Paris, comunicações onde se refletem as mais eminentes qualidades, onde ela confirma o que fora dito de seus antecedentes.

CHARLES DE SAINT-G..., idiota

(Sociedade Espírita de Paris, 1860.)

Charles de Saint-G... era um jovem idiota, com a idade de treze anos, vivente, e cujas faculdades intelectuais eram de