O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO VIII 1630

13. No vosso estado de vigília, tendes consciência do que se passa ao vosso redor, e isto apesar da imperfeição de vossos órgãos? – R. Eu vejo, eu ouço, mas o meu corpo não compreende e nem vê nada.

14. Podemos fazer coisa alguma que vos seja útil? – R. Nada.

15. A São Luís. As preces por um Espírito reencarnado podem ter a mesma eficácia que para um Espírito errante? – R. As preces são sempre boas e agradáveis a Deus; na posição deste pobre Espírito, não podem servir-lhe  para nada; servir-lhe-ão mais tarde, porque Deus tê-las-á em conta.

Esta evocação confirma o que sempre foi dito sobre os idiotas. A sua nulidade moral não se prende à nulidade de seu Espírito, que, abstração feita dos órgãos, goza de todas as suas faculdades. A imperfeição dos órgãos não é senão um obstáculo à livre manifestação dos pensamentos: ela não os aniquila. É o caso de um homem vigoroso cujos membros sejam comprimidos por laços.

Instrução de um Espírito, sobre os idiotas e os cretinos, dadas à Sociedade de Paris.

Os cretinos são seres punidos sobre a Terra pelo mau uso que fizeram de poderosas faculdades; sua alma está aprisionada num corpo, cujos órgãos impossibilitados não podem exprimir os seus pensamentos; esse mutismo, moral e físico, é uma das mais cruéis punições terrestres; freqüentemente, ela é escolhida pelos Espíritos arrependidos que querem resgatar as suas faltas. Essa prova não é estéril, porque o Espírito não fica estacionário na sua prisão de carne; seus olhos embrutecidos vêem, esse cérebro deprimido concebe, mas nada se pode traduzir, nem pela palavra nem pelo olhar e, salvo o movimento, estão moralmente no estado dos letárgicos e dos catalépticos que vêem e ouvem o que se passa ao seu redor sem poder exprimi-lo. Quando tendes, em sonho, esses terríveis pesadelos onde quereis fugir de um perigo, e gritais para chamar socorro, ao passo que a vossa língua fica presa na boca e os vossos pés ao solo, sentis um instante o que o cretino sente sempre: paralisia do corpo ligado à vida do Espírito.

Quase todas as enfermidades têm, assim, sua razão de ser; nada se faz sem causa; o que chamais a injustiça da sorte