O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO VIII 1631

é a aplicação da mais alta justiça. A loucura é também uma punição do abuso de altas faculdades; o louco tem duas personalidades: aquela que disparata e aquela que tem a consciência de seus atos, sem poder dirigi-los. Quanto aos cretinos, a vida contemplativa e isolada de sua alma, que não tem as distrações do corpo, pode estar tão agitada que as resistências mais complicadas para os acontecimentos; uns se revoltam contra o seu suplício voluntário; lamentam tê-lo escolhido e sentem um desejo furioso de retornar a uma outra vida, desejo que os faz esquecer a resignação à vida presente, e o remorso da vida passada, do qual têm a consciência, porque os cretinos e os loucos sabem mais do que vós, e sob a sua impossibilidade física esconde-se uma força moral da qual não tendes nenhuma idéia. Os atos de furor e de imbecilidade, aos quais o seu corpo se entrega, são julgados pelo ser interior que os sofrem e que deles se envergonham. Assim, zombar deles, injuriá-los, maltratá-los mesmo, como fazem algumas vezes, é aumentar seus sofrimentos, porque é fazê-los sentir mais duramente sua fraqueza e sua abjeção, e se o pudessem, acusariam de covarde aqueles que agem desse modo porque sabem que a sua vítima não pode defender-se.

O cretinismo não é uma lei de Deus, e a ciência pode fazê-lo desaparecer, porque é o resultado material da ignorância, da miséria e da imoralidade. Os novos meios de higiene que a ciência, tornada mais prática, colocou à disposição de todos, tendem a destruí-lo. Sendo o progresso a condição expressa da Humanidade, as provas impostas modificar-se-ão e seguirão a marcha dos séculos; tornar-se-ão todas morais, e quando a vossa Terra, jovem ainda, houver cumprido todas as fases de sua existência, tornar-se-á uma morada de felicidade como outros planetas mais avançados.

Pierre JOUTY, pai do médium.

Houve um tempo em que se colocou em questão a alma dos cretinos, e se perguntava se pertenciam verdadeiramente  à espécie humana. A maneira pela qual o Espiritismo  fá-los  considerar não é de uma alta moralidade e de um grande ensinamento? Não tem mais matéria para reflexões sérias em pensando que esses corpos desfavorecidos encerram almas que, talvez, brilharam no mundo, que são tão lúcidas e tão pensantes como as nossas, sob o espesso envoltório que lhes abafa as  manifestações,  e  que pode, um dia, ocorrer o mesmo conosco, se abusarmos das faculdades que a providência nos distribuiu?