O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO VIII 1633

a esta prece: "Obrigado, meu Deus, por nos dar como prova um ser fraco para sustentar, e um aflito para consolar."

ADÉLAIDE-MARGUERITE GOSSE.

Era uma simples e pobre serva da Normandia, perto de Harfleur. Com onze anos, ela ingressou no serviço de ricos pecuaristas de sua cidade. Poucos anos depois, um transbordamento do Seine carregou e afogou todos os animais! Outras infelicidades sobrevieram e seus senhores caíram na miséria! Adelaide encadeou a sua sorte à deles, abafou a voz do egoísmo, e, não ouvindo senão o seu coração generoso, fê-los aceitarem quinhentos francos poupados por ela, e continuou a servi-los sem salário; depois, quando de sua morte, ligou-se à uma filha deles, que se tornara viúva e sem recursos. Ela trabalha no campo e leva seu ganho à casa. Casa-se, e a jornada de seu marido se acrescenta à sua, e eis agora ambos a sustentarem a pobre mulher, que ela sempre chama a "sua senhora!" Este sublime sacrifício durou quase meio século.

A Sociedade de emulação de Rouen não deixou no esquecimento esta senhora, digna de tanto respeito e de admiração; concedeu-lhe uma medalha de honra e uma recompensa em dinheiro; as lojas maçônicas do Havre associaram-se a esse testemunho de estima e lhe ofereceram uma pequena soma para acrescentar ao seu bem-estar. Enfim, a administração local ocupou-se de sua sorte com delicadeza, poupando a sua suscetibilidade.

Um ataque de paralisia levou, num instante e sem sofrimento, este ser benfazejo. Os últimos deveres foram-lhe prestados de maneira simples, mas decente; o secretário do conselho municipal foi à frente do cortejo fúnebre.

(Sociedade de Paris, 27 de dezembro de 1861.)

Evocação. – Rogamos ao Deus Todo-poderoso permitir ao Espírito de Marguerite Gosse comunicar-se conosco. – R. Sim, Deus consentiu-me esta graça.

P. Estamos felizes em vos testemunhar a nossa