O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO VIII 1635

era completamente debilitada desde os quatro anos. Durante a sua vida, nunca fez ouvir um só lamento, nem deu um único sinal de impaciência; embora desprovida de instrução, consolava a sua família aflita, conversando, com ela, sobre a vida futura e a felicidade que deveria ali encontrar. Ela morreu em setembro de 1862, depois de quatro dias de torturas e convulsões, durante os quais não cessou de orar a Deus. "Eu não temo a morte, dizia ela, uma vez que uma vida de felicidade me está reservada depois." Dizia a seu pai, e chorava: "Consola-te, retornarei para te visitar; a minha hora está próxima, eu o sinto; mas quando ela chegar, sabê-lo-ei e te prevenirei antes." Com efeito, quando o momento fatal deveria cumprir-se, chamou todos os seus dizendo: "Não tenho mais que cinco minutos para viver; dai-me as vossas mãos." Ela expirou como anunciara.

Desde então, um Espírito batedor vem visitar a casa do casal Rivier, onde transtorna tudo; bate na mesa, como se tivesse uma clava; agita as roupas e as cortinas, revira as louças. Este Espírito apareceu sob a forma de Clara à sua irmãzinha, que não tem senão cinco anos. Segundo essa criança, a sua irmã freqüentemente lhe tem falado, e suas aparições lhe fazem dar gritos de alegria, e dizer: "Mas vede, pois, como Clara está linda!"

1. Evocação de Clara Rivier. – R. Estou junto de vós, disposta a responder.

2. De onde vos chegavam, embora tão jovem e sem instrução, as idéias elevadas que exprimíeis sobre a vida futura, antes de vossa morte? – R. Do pouco de tempo que passaria sobre o vosso globo e de minha precedente encarnação. Era médium quando deixei a Terra, e era médium retornando entre vós. Era uma predestinação; eu sentia e via o que dizia.

3. Como ocorre que uma criança de vossa idade nunca haja lamentado durante quatro anos de sofrimentos? – R. Porque o sofrimento físico era dominado por uma força maior, a do meu anjo guardião, que via continuamente junto de mim; ele sabia aliviar tudo o que eu sentia; tornava a minha vontade maior do que a dor.

4. Como fostes prevenida do instante de vossa morte? – R. Meu anjo guardião mo disse; ele nunca me enganou.