O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO VIII 1637

Se se soubesse praticar, por toda parte essa grande lei da consciência, não se teriam mais, em épocas determinadas, essas grandes misérias que desonram os povos civilizados, e que Deus envia para castigá-los e para abrir-lhes os olhos.

Caros pais, orai a Deus, amai-vos, praticai a lei do Cristo: Não façais aos outros o que não gostaríeis que vos fizessem: Implorai a Deus que vos prove, mostrando-vos que a sua vontade é santa e grande como ele. Sabei, em previsão do futuro, vos armar de coragem e de perseverança, porque ainda estais chamados a sofrer: É necessário saber merecer uma boa posição num mundo melhor, onde a compreensão da justiça divina se torna a punição dos maus Espíritos.

Estarei sempre junto de vós, queridos pais; adeus, ou antes, até breve. Tende a resignação, a caridade, o amor de vossos semelhantes, e sereis felizes um dia.

CLARA.

É um belo pensamento este: "A roupa de lã toca de mais perto do que se não crê a roupa de brocado de ouro." É uma alusão aos Espíritos que, de uma existência a outra, passam de uma posição brilhante a uma posição humilde ou miserável, porque, freqüentemente, expiam num meio ínfimo o abuso que fizeram dos dons que Deus lhes concedera. É uma justiça que todo o mundo compreende.

Um outro pensamento, não menos profundo, é aquele que atribui à calamidade dos povos à infração à lei de Deus, porque Deus castiga os povos como castiga os indivíduos. É certo que se praticassem a lei de caridade, não haveria nem guerras, nem grandes misérias. É à prática dessa lei que o Espiritismo conduz; seria, pois, por isso que encontra inimigos tão obstinados? As palavras desta menina aos seus pais são as de um demônio?

FRANÇOISE VERNHES

Cega de nascença, filha de um camponês das vizinhanças de Toulouse, morta em 1855, com a idade de quarenta e cinco anos. Ocupava-se constantemente em ensinar o catecismo às crianças, a fim de prepará-las para a