O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. VI - VIDA ESPÍRITA 164

– É uma conseqüência do livre arbítrio. Os Espíritos sabem perfeitamente o que fazem, porém, para alguns é também uma punição imposta por Deus. Outros pedem para que ela seja prolongada, a fim de continuarem estudos que não podem ser feitos com proveito, senão no estado de Espírito.

225 – A erraticidade, por si mesma, é um sinal de inferioridade nos Espíritos?

– Não, pois há Espíritos errantes de todos os graus. Já dissemos que a encarnação é um estado transitório; no seu estado normal o Espírito está liberto da matéria.

226 – Pode-se dizer que todos os Espíritos, que não estão encarnados, são errantes?

– Os que devem se reencarnar, sim, mas, os Espíritos puros, que alcançaram a perfeição, não são errantes: seu estado é definitivo.

Com relação às qualidades íntimas, os Espíritos são de diferentes ordens ou graus, que percorrem sucessivamente, à medida que se depuram. Quanto ao estado, podem ser: encarnados, quer dizer, unidos a um corpo; errantes, isto é, livres do corpo material e esperando uma nova encarnação para se melhorarem; Espíritos puros, perfeitos, e não tendo mais necessidade de encarnação.

227 – De que maneira os Espíritos errantes se instruem? Sem dúvida, eles não o fazem do mesmo modo que nós.

– Estudam o seu passado e procuram os meios para se elevarem. Vêem, observam o que se passa nos lugares que percorrem; ouvem as palavras dos homens mais esclarecidos e os avisos dos Espíritos mais elevados, e isso lhes dá idéias que não tinham.

228 – Os Espíritos conservam algumas das paixões humanas?

– Os Espíritos elevados, perdendo seu envoltório físico, deixam as más paixões e só guardam as do bem; quanto aos Espíritos inferiores, conservam-nas, pois, de outra forma, seriam da primeira ordem.

229 – Por que os Espíritos, deixando a Terra, não deixam nela todas as suas más paixões, uma vez que eles vêem os seus inconvenientes?