O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. VI - VIDA ESPÍRITA 165

– Tens nesse mundo pessoas que são excessivamen-te invejosas; acreditas que, mal o deixem, perdem os seus defeitos? Depois de sua partida da Terra, sobretudo para aqueles que têm paixões bem acentuadas, resta uma espécie de atmosfera que os envolve e conserva todas as suas coisas más, porque o Espírito não está inteiramente desprendido; só por momentos vê a verdade, como para lhe mostrar o bom caminho.

230 – O Espírito progride no estado errante?

– Pode melhorar-se muito, sempre segundo a sua vontade e o seu desejo; mas é na existência corporal que ele põe em prática as novas idéias que adquiriu.

231 – Os Espíritos errantes são felizes ou infelizes?

– Mais ou menos de acordo com os seus méritos. Sofrem as paixões cuja essência conservaram, ou são felizes segundo eles sejam mais ou menos desmaterializados. No estado errante, o Espírito entrevê o que lhe falta para ser mais feliz e procura os meios para alcançar a felicidade; mas não lhe é sempre permitido reencarnar-se como seria do seu agrado, e isso, então, lhe é uma punição.

232 – No estado errante, podem os Espíritos ir para todos os mundos?

– Conforme. Quando o Espírito deixa o corpo, ele não está por isso, completamente liberto da matéria e pertence ainda ao mundo onde viveu ou a um mundo do mesmo grau, a menos que, durante a sua vida, ele não se tenha elevado; e deve ser esse seu objetivo pois, caso contrário, não se aperfeiçoará jamais. Ele pode, entretanto, ir a certos mundos superiores, mas, nesse caso, aí é como um estranho; não faz, por assim dizer, mais do que os entrever, e é isso que lhe dá o desejo de se melhorar, para ser digno da felicidade que neles se desfruta e poder habitá-los mais tarde.

233 – Os Espíritos já purificados vão aos mundos inferiores?

– Eles vão freqüentemente para ajudar o seu progresso; sem isso esses mundos estariam entregues a si mesmos, sem guias para dirigi-los.