A GÊNESE - CAPÍTULO PRIMEIRO 1666

científicas, pode, com mais forte razão, suscitá-los para as verdades morais, que são um dos elementos essenciais do progresso. Tais são os filósofos cujas idéias atravessaram os séculos.

7. – No  sentido  especial  de  fé religiosa, a revelação se diz, mais particularmente, das coisas espirituais que o homem

 não pode saber por si mesmo, que não pode descobrir por meio de seus sentidos, e cujo conhecimento lhe  é  dado por Deus, ou por seus mensageiros, seja por meio da palavra direta, seja pela inspiração. Neste caso, a  revelação   é   sempre feita por homens privilegiados, designados  sob o nome de profetas ou messias, quer dizer, enviados, missionários, com a missão de transmiti-la aos homens. Considerada sob este ponto de vista, a revelação implica a passividade absoluta; é aceita sem controle, sem discussão.

8. – Todas as religiões tiveram os seus reveladores, e embora estivessem longe de haver conhecido toda a verdade, tiveram a sua razão de ser providencial; porque eram apropriados ao tempo e ao meio onde viviam, ao gênio particular dos povos aos quais falavam, e aos quais eram relativamente superiores. Malgrado os erros de suas doutrinas, não deixaram de agitar os espíritos, e, por isso mesmo, semeado os germens do progresso que, mais tarde, deveriam desabrochar, ou desabrocharão um dia ao sol do Cristianismo. É, pois, erradamente que se lhes lança anátemas em nome da ortodoxia, porque um dia virá no qual todas essas crenças, tão diferentes pela forma, mas que respousam, em realidade, sobre um mesmo princípio fundamental: – Deus e a   imortalidade  da alma – se fundirão em uma grande e vasta   unidade,   quando a razão houver triunfado sobre os preconceitos.

Infelizmente, as religiões, em todos os tempos, foram instrumentos de dominação; o papel de profeta tentou as ambições secundárias, e se viu surgir uma multidão de pretensos reveladores, ou messias, que graças ao prestígio desse nome, exploram a credulidade, em proveito do seu orgulho, de sua cupidez ou de sua preguiça, achando mais cômodo viver às expensas de suas vítimas. A religião cristã não esteve ao abrigo desses parasitas. A esse propósito, rogamos uma atenção séria sobre o capítulo XXI de O