A GÊNESE - CAPÍTULO PRIMEIRO 1668

origem, ao passo que as outras leis mosaicas, essencialmente transitórias, freqüentemente em contradição com a lei do Sinai, são a obra pessoal e política do legislador hebreu. Os costumes do povo se abrandando, suas leis, por si mesmas, caíram em desuso, enquanto que o Decálogo permaneceu em pé como o farol da Humanidade. O Cristo fez dele a base do seu edifício, ao passo que aboliu as outras leis. Se elas fossem obra de Deus, guardar-se-ia de tocá-las. O Cristo e Moisés foram os dois grandes reveladores que mudaram a face do mundo, e aí está a prova da sua missão divina. Uma obra puramente humana não teria tal poder.

11. – Uma importante revelação se cumpre na época atual: a que nos mostra a possibilidade de comunicar com os seres do mundo espiritual. Esse conhecimento não é novo, sem dúvida; mas permaneceu, até os nossos dias, de certa forma, no estado de letra morta, quer dizer, sem proveito para a Humanidade. A ignorância das leis que regem essas relações as havia sufocado sob a superstição; o homem era incapaz de delas tirar alguma dedução salutar; estava reservado à nossa época desembaraçá-la de seus acessórios ridículos, compreender-lhe a importância, e dela fazer sair a luz que deverá iluminar a rota do futuro.

12. – O Espiritismo, dando-nos a conhecer o mundo invisível, que nos envolve e no meio do qual vivemos sem disso desconfiarmos, as leis que o regem, suas relações com o mundo visível, a natureza e o estado dos seres que o habitam, e, em conseqüência, o destino do homem depois da morte, é uma verdadeira revelação, na acepção científica da palavra.

13. – Por sua natureza, a revelação espírita tem duplo caráter: resulta, ao mesmo tempo, da revelação divina e da revelação científica. Resulta da primeira no sentido de que seu advento foi providencial, e não o resultado da iniciativa e de um desejo premeditado do homem; que os pontos fundamentais da doutrina são o fato do ensinamento dado pelos Espíritos encarregados por Deus para esclarecerem os homens sobre as coisas que ignoravam, que não poderiam aprender por si mesmos, e que lhes convinha conhecerem, hoje que estão amadurecidos para compreendê-las. Resulta da segunda no sentido de que esse ensinamento não é privilégio de nenhum indivíduo, mas é dado a todo mundo pelo mesmo meio; que aqueles que os transmitem e os que recebem não são seres passivos, dispensados do trabalho de