A GÊNESE - CAPÍTULO PRIMEIRO 1669

observação e de pesquisa; que não renunciam ao seu juízo e ao seu livre arbítrio; que o controle não lhes é proibido, mas, ao contrário, recomendado; enfim, que a doutrina não foi ditada completa, nem imposta à crença cega; que é deduzida, pelo trabalho do homem, da observação dos fatos que os Espíritos colocam sob seus olhos, e das instruções que lhe dão, instruções que ele estuda, comenta, compara, e das quais ele mesmo tira as conseqüências e aplicações. Em uma palavra, o que caracteriza a revelação espírita é que sua fonte é divina, que a iniciativa pertence aos Espíritos, e que a elaboração resulta do trabalho do homem.

14. – Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente do mesmo modo que as ciências positivas, quer dizer, aplica o método experimental. Fatos de uma ordem nova se apresentam e não podem se explicar pelas leis conhecidas; observa-os, compara-os, analisa-os, e, dos efeitos remontando às causas, chega à lei que os rege; depois, deduz suas conseqüências e procura as suas aplicações úteis. Não estabelece nenhuma teoria preconcebida; assim não colocou como hipótese, nem a existência e intervenção dos Espíritos, nem o perispírito, nem a reencarnação, nem nenhum dos princípios da Doutrina; concluiu da existência dos Espíritos quando essa existência se deduziu, com evidência, da observação dos fatos; e assim os outros princípios. Não foram os fatos que vieram confirmar a teoria, mas a teoria que veio, subseqüentemente, explicar e resumir os fatos. É, pois, rigorosamente exato dizer-se que o Espiristismo é uma ciência de observação, e não o produto da imaginação. As ciências não tiveram progresso sério senão depois que o seu estudo se baseou no método experimental; mas, até esse dia, acreditou-se que este método não era aplicável senão à matéria, ao passo que o é, igualmente, às coisas metafísicas.

15. – Citemos um exemplo. Passa-se, no mundo dos Espíritos, um fato muito singular, e que, seguramente, ninguém teria suspeitado, que é o dos Espíritos que não se crêem mortos. Pois bem! Os Espíritos superiores, que o conhecem perfeitamente, não vieram dizer por antecipação: "Há Espíritos que crêem ainda viver a vida terrestre; que conservaram os seus gostos, seus hábitos e seus instintos;" mas provocaram a manifestação de Espíritos, dessa categoria, para nos fazer observá-los. Tendo, pois, visto Espíritos incertos do seu estado, ou afirmando que estavam