A GÊNESE - CAPÍTULO PRIMEIRO 1671

18. – A ciência moderna mostrou a verdade sobre os elementos primitivos dos Antigos, e de observação em observação, chegou à concepção de um único elemento gerador de todas as transformações da matéria; mas a matéria, por si mesma, é inerte; não tem vida, nem pensamento, nem sentimento; é-lhe necesária a sua união com o princípio espiritual. O Espiritismo não descobriu nem inventou este princípio, mas o principal, o tem demonstrado por provas irrecusáveis; estudou-o, analisou-o e demonstrou a sua ação evidente. Ao elemento material veio juntar o elemento espiritual. Elemento material e elemento espiritual, eis os dois princípios, as duas forças vivas da Natureza. Pela união indissolúvel destes dois elementos, explica-se, sem dificuldade, uma multidão de fatos até agora inexplicáveis (1).

O Espiritismo, tendo por objeto de estudo um dos dois elementos constitutivos do Universo, toca, forçosamente, na maioria das ciências; não poderia vir senão depois da sua elaboração, e nasce pela força das coisas, da impossibilidade de tudo se explicar somente com a ajuda das leis da matéria.

19. – Acusa-se o Espiritismo de parentesco com a magia e a feitiçaria; mas esquece-se que a astronomia tem por primogênita a astrologia judiciária, que não está longe de nós; que a química é filha da alquimia, da qual nenhum homem sensato ousaria se ocupar hoje. Ninguém nega, entretanto, que estivesse na astrologia e na alquimia o germe das verdades de onde saíram as ciências atuais. Malgrado as suas fórmulas ridículas, a alquimia encaminhou para a descoberta dos corpos simples e da lei das afinidades; a astrologia se apoiava sobre a posição e o movimento dos astros, que havia estudado; mas, na ignorância das verdadeiras leis que regem o mecanismo o Universo, os astros eram, para o vulgo, seres misteriosos aos quais a superstição emprestou uma influência moral e um sentido revelador. Quando Galileu, Newton, Kepler fizeram conhecer essas leis, que o telescópio rasgou o véu e mergulhou nas profundezas do espaço um


(1) A palavra elemento não é tomada aqui no sentido de corpo simples, elementar, de moléculas primitivas, mas no de parte constituinte de um todo. Neste sentido, pode-se dizer que o elemento espiritual tem parte ativa na economia do Universo, como se diz que o elemento civil e o elemento militar figuram no total de uma população; que o elemento religioso entra na educação; que, na Argélia, há o elemento árabe e o elemento europeu.