A GÊNESE - CAPÍTULO PRIMEIRO 1673

a das penas e recompensas que esperam o homem depois da morte. (ver Revista Espírita, 1861, páginas 90 e 280).

23. – A parte mais importante da revelação do Cristo, no sentido de que ela é a fonte primeira, a pedra angular de toda a sua doutrina, é o ponto de vista, todo novo, sob o qual fez considerar a Divindade. Não é mais o Deus terrível, ciumento, vingativo, de Moisés, o Deus impiedoso que rega a terra com sangue humano, que ordena o massacre e o extermínio de povos, sem excetuar as mulheres, as crianças e os velhos, que castiga aqueles que poupam as vítimas; não é mais o Deus injusto que pune todo um povo pela falta de seu chefe, que se vinga do culpado sobre a pessoa do inocente, que castiga as crianças pela falta de seu pai; mas um Deus clemente, soberanamente justo e bom, cheio de mansuetude e de misericórdia, que perdoa ao pecador arrependido, e dá a cada um segundo as suas obras; não é mais o Deus de

um único povo privilegiado, o Deus dos exércitos presidindo aos combates para sustentar a sua própria causa contra o Deus dos outros povos, mas o Pai comum do gênero humano, que estende a sua proteção sobre todos os filhos e os chama a todos para si; não é mais o Deus que recompensa e pune apenas pelos bens da Terra, que faz consistir a glória e a felicidade na servidão dos povos rivais e na multiplicidade da descendência, mas que diz aos homens: "A vossa verdadeira pátria não é este mundo, ela está no reino celeste: será aí que os humildes de coração serão elevados e que os orgulhosos serão rebaixados." Não é mais o Deus que faz da vingança uma virtude e ordena pagar olho por olho, dente por dente, mas o Deus de misericórdia que diz: "Perdoai as ofensas, se quereis que vos seja perdoado; fazei o bem em troca do mal; não façais a outrem o que não quereis que vos façam." Não é mais o Deus mesquinho e meticuloso que impõe, sob as mais rigorosas penas, a maneira pela qual quer ser adorado, que se ofende com a inobservância de uma fórmula; mas o Deus grande que considera o pensamento e não se honra com a forma. Este não é mais, enfim, o Deus que quer ser temido, mas o Deus que quer ser amado.

24. – Sendo Deus o eixo de todas as crenças religiosas, o objetivo de todos os cultos, o caráter de todas as religiões está conforme a idéia que elas dão de Deus. As religiões que dele fazem um Deus vingativo e cruel crêem honrá-lo por atos de crueldade, pelas fogueiras e pelas