A GÊNESE - CAPÍTULO PRIMEIRO 1676

reveladas pela ciência; eis porque os próprios teólogos puderam, de boa-fé, se enganar sobre o sentido de certas palavras e de certos fatos do Evangelho. Querendo, a todo preço, nele encontrarem a confirmação de um pensamento preconcebido, volteavam sempre no mesmo círculo, sem deixarem o   seu  ponto  de vista, de tal sorte que não viam senão aquilo que queriam ver. Por sábios teólogos que fossem, não podiam compreender as causas dependentes de leis que não conheciam.

Mas quem será o juiz das interpretações diversas e, freqüentemente, contraditórias, dadas fora da teologia? – O futuro, a lógica e o bom senso. Os homens, cada vez mais esclarecidos, à medida que fatos novos e novas leis venham a se revelar, saberão separar os sistemas utópicos da realidade; ora, a ciência faz conhecer certas leis; o Espiritismo faz conhecer outras; umas e outras são indispensáveis à compreensão dos textos sagrados de todas as religiões, desde Confúcio e Buda até o Cristianismo. Quanto à teologia, ela não poderá, judiciosamente, alegar as contradições da ciência, quando  não  está  de  acordo consigo mesma.

30. – O ESPIRITISMO, tomando seu ponto de partida das próprias palavras do Cristo, como este hauria a sua de Moisés, é uma conseqüência direta da sua doutrina.

À idéia vaga da vida futura acrescenta a revelação do mundo invisível que nos cerca e povoa o espaço, e, com isto, fixa a crença; dá-lhe um corpo, uma consistência, uma realidade no pensamento.

Definiu os laços que unem a alma ao corpo e levantou o véu que escondia, aos homens, os mistérios do nascimento e da morte.

Pelo Espiritismo, o homem sabe de onde vem, para onde vai, por que está na Terra, por que sofre temporariamente, e vê, por toda a parte, a justiça de Deus.

Sabe que a alma progride, sem cessar, através de uma série de existências, até que haja alcançado o grau de perfeição que pode aproximá-la de Deus.

Sabe que todas as almas, tendo um mesmo ponto de partida, são criadas iguais, com uma mesma aptidão para