A GÊNESE - CAPÍTULO PRIMEIRO 1678

um sofre as conseqüências diretas e naturais de suas faltas; dito de outro modo, que é punido por onde tem pecado; que essas conseqüências duram tão longo tempo quanto as causas que as produziram; que, assim, o culpado sofreria eternamente se persistisse eternamente no mal, mas que o sofrimento cessa com o arrependimento e a reparação; ora, como depende de cada um melhorar-se, cada um pode, em virtude do seu livre arbítrio, prolongar ou abreviar seus sofrimentos, como o doente sofre dos seus excessos tão longo tempo enquanto não lhes põe termo.

33. – Se a razão repele, por incompatível com a bondade de Deus, a idéia das penas irremissíveis, perpétuas e absolutas, freqüentemente infligidas por uma única falta; os suplícios do inferno que não pode abrandar o mais ardente e o mais sincero arrependimento, ela se inclina diante dessa justiça distributiva e imparcial, que leva tudo em conta, não fecha nunca a porta do retorno, e estende, sem cessar, a mão ao náufrago, em lugar de empurrá-lo para o abismo.

34. – A pluralidade das existências, cujo princípio o Cristo colocou no Evangelho, mas sem defini-lo mais do que muitos outros, é uma das leis mais importantes reveladas pelo Espiritismo, no sentido de que lhe demonstra a realidade e a necessidade para o progresso. Por essa lei o homem explica todas as aparentes anomalias que a vida humana apresenta; as diferenças de posição social; as mortes prematuras que, sem a reencarnação, tornariam inúteis para a alma a vida abreviada; a desigualdade das aptidões intelectuais e morais, pela antiguidade do Espírito que tem, mais ou menos, aprendido e progredido, e que traz, em renascendo, o que adquiriu em suas existências anteriores. (nº 5).

35. – Com a doutrina da criação da alma em cada nascimento, vem-se cair no sistema das criações privilegiadas; os homens são estranhos uns aos outros, nada os liga, os laços de família são puramente carnais: não são solidários com um passado em que não existiam; com a doutrina do nada depois da morte, toda relação cessa com a vida; eles não são solidários quanto ao futuro. Pela reencarnação, são solidários quanto ao passado e quanto ao futuro; as suas relações se perpetuam no mundo espiritual e no mundo corporal, a fraternidade tem por base as próprias leis da Natureza; o bem tem um objetivo, o mal as suas conseqüências inevitáveis.