A GÊNESE - CAPÍTULO PRIMEIRO 1679

36. – Com a reencarnação, caem os preconceitos de raças e de castas, uma vez que o mesmo Espírito pode renascer rico ou pobre, grande senhor ou proletário, chefe ou subordinado, livre ou escravo, homem ou mulher. De todos os argumentos contra a injustiça da servidão e da escravidão, contra a sujeição da mulher à lei do mais forte, não há nenhum deles que ultrapasse, em lógica, o fato material da reencarnação. Se, pois, a reencarnação repousa sobre uma lei da Natureza, o princípio da fraternidade universal, ela repousa sobre a mesma lei da igualdade de direitos sociais, e, por conseguinte, a da liberdade.

37. – Tirai ao homem o espírito livre, independente, sobrevivente à matéria, e fareis dele uma máquina organizada, sem objetivo, sem responsabilidade, sem outro freio que o da lei civil, e próprio para ser explorado como um animal inteligente. Não esperando nada depois da morte, nada o detém para aumentar os gozos do presente; se sofre, não tem em perspectiva senão o desespero e o nada por refúgio. Com a certeza do futuro, a de encontrar aqueles a quem amou, o medo de rever aqueles a quem ofendeu, todas as suas idéias mudam. O Espiritismo, não fizesse senão tirar o homem da dúvida com respeito à vida futura, teria feito mais pelo seu adiantamento moral do que todas as leis disciplinares que o freiam algumas vezes, mas não o transformam.

38. – Sem a preexistência da alma, a doutrina do pecado original não é apenas irreconciliável com a justiça de Deus, que torna todos os homens responsáveis pela falta de um só deles: seria um contra-senso, e tanto menos justificável que, segundo essa doutrina, a alma não existia na época à qual se pretende fazer remontar a sua responsabilidade. Com a preexistência, o homem traz, em renascendo, o germe de suas imperfeições, dos defeitos de que não se corrigiu, e que se traduzem por seus instintos naturais, as suas propensões a tal ou tal vício. Está aí o seu verdadeiro pecado original, do qual sofre, naturalmente, as conseqüências, mas com a diferença capital de que suporta o castigo das próprias faltas, e não as de outrem; e esta outra diferença, ao mesmo tempo consoladora, encorajante e soberanamente equitativa, de que cada existência lhe oferece os meios de se remir pela reparação, e de progredir, seja em se despojando de algumas imperfeições, seja adquirindo novos conhecimentos, e isso até que, estando suficientemente purificado,