A GÊNESE - CAPÍTULO PRIMEIRO 1680

não tenha mais necessidade da vida corporal, e possa viver, exclusivamente, a vida espiritual, eterna e feliz.

Pela mesma razão, aquele que progrediu moralmente traz, em renascendo, qualidades inatas, do mesmo modo que aquele que progrediu intelectualmente traz idéias inatas; está identificado com o bem; pratica-o sem esforço, sem cálculo e, por assim dizer, sem nele pensar. Quem está obrigado a combater as suas más tendências está ainda na luta: o primeiro já venceu, o segundo está em vias de vencer. Há, pois, virtude original, como há saber original, e pecado, ou melhor, vício original.

39. – O Espiritismo experimental estudou as propriedades dos fluidos espirituais e a ação deles sobre a matéria. Demonstrou a existência do perispírito, suspeitado desde a antiguidade, e designado por São Paulo sob o nome de Corpo espiritual, quer dizer, de corpo fluídico da alma depois  da destruição do corpo tangível. Sabe-se hoje que esse envoltório é inseparável da alma; que é um dos elementos  constitutivos do ser humano; que é o veículo de transmissão  do  pensamento, e que, durante a vida do corpo, serve de laço entre o Espírito e a matéria. O perispírito desempenha um papel tão importante no organismo, e numa multidão de afecções, que se liga à fisiologia tão bem quanto à psicologia.

40. – O estudo das propriedades do perispírito, dos fluidos   espirituais e dos   atributos  fisiológicos  da alma, abre novos horizontes à ciência, e dá a chave de uma multidão de fenômenos incompreendidos, até então, por falta de conhecimento da lei que os rege; fenômenos negados pelo materialismo, por se ligarem à espiritualidade, qualificados por outros de milagres ou de sortilégios, segundo as crenças . Tais são, entre outros, os fenômenos da dupla vista, da visão à distância, do sonambulismo natural e artificial, dos efeitos físicos da catalepsia e da letargia, da presciência, dos pressentimentos, das aparições, das transfigurações, da transmissão do pensamento, da fascinação, das curas instantâneas, das obsessões e possessões, etc. Em demonstrando que esses fenômenos repousam sobre leis tão naturais quanto as dos fenômenos elétricos, e as condições normais nas quais podem se reproduzir, o Espiritismo destruiu o império do maravilhoso e do so-