A GÊNESE - CAPÍTULO PRIMEIRO 1681

brenatural, e por conseqüência, a fonte da maioria das superstições. Se fez crer na possibilidade de certas coisas consideradas por alguns como quiméricas, impediu de crer em muitas outras das quais demonstra a impossibilidade e a irracionalidade.

41. – O Espiritismo, bem longe de negar ou de destruir o Evangelho, vem, ao contrário, confirmar, explicar e desenvolver, pelas novas leis da Natureza que revela, tudo o que o Cristo disse e fez; traz a luz sobre os pontos obscuros dos seus ensinamentos, de tal sorte que aqueles para quem certas partes do Evangelho eram ininteligíveis, ou pareciam inadmissíveis, as compreendem, sem esforço, com a ajuda do Espiritismo, e as admitem; vêem melhor a sua importância, e podem separar a realidade da alegoria; o Cristo lhes parece maior: não é mais simplesmente um filósofo, é um Messias divino.

42. – Se se considera, por outro lado, a força moralizadora do Espiritismo pelo objetivo que assinala para todas as ações da vida, pelas conseqüências do bem e do mal que faz tocar com o dedo; a força moral, a coragem, as consolações que dá nas aflições por uma inalterável confiança no futuro, pelo pensamento de ter perto de si os seres a quem amou, a segurança de revê-los, a possibilidade de conversar com eles, enfim, pela certeza de que tudo o que se faz, de que tudo o que se adquire em inteligência, em ciência, em moralidade, até a última hora da vida, nada está perdido, que tudo aproveita ao adiantamento, reconhece-se que o Espiritismo realiza todas as promessas do Cristo com respeito ao Consolador anunciado. Ora, como é o Espírito de Verdade quem preside ao grande movimento de regeneração, a promessa do seu advento se encontra realizada, porque, pelo fato, é ele o verdadeiro Consolador (1).


(1) Muitos pais de família deploram a morte prematura de crianças, para cuja educação fizeram grandes sacrifícios, e dizem a si mesmos que tudo isso é pura perda. Com o Espiritismo, não lamentam mais esses sacrifícios, e estariam prontos a fazê-los, mesmo com a certeza de verem morrer seus filhos, porque sabem que, se estes últimos não aproveitam essa educação no presente, ela servirá, em primeiro lugar, para seu adiantamento como Espíritos; depois, que isso será igualmente adquirido para uma nova existência, e que, quando retomarem, terão uma bagagem intelectual que os tornará mais aptos para adquirirem novos conhecimentos. Tais são essas crianças que trazem, em nascendo, idéias inatas, que sabem, por assim dizer, sem terem necessidade de aprender. Se os pais não têm a satisfação imediata de verem seus filhos