A GÊNESE - CAPÍTULO PRIMEIRO 1682

43. – Se a esses resultados se acrescenta a rapidez extraordinária da propagação do Espiritismo, apesar de tudo o que se fez para abatê-lo, não se pode discordar de que a sua vinda tenha sido providencial, porque triunfa de todas as forças e de toda a má vontade dos homens. A facilidade com a qual ele é aceito por um tão grande número, e isso sem constrangimento, sem outros meios senão o poder da idéia, prova que responde a uma necessidade, a de crer em alguma coisa, depois do vazio cavado pela incredulidade, e que, conseqüentemente, veio ao seu tempo.

44. – Os aflitos são em grande número; não é, pois, surpreendente que tantas pessoas acolham uma doutrina que consola, de preferência às doutrinas que desesperam, porque é aos deserdados, mais do que aos felizes do mundo, que se dirige o Espiritismo. O enfermo vê chegar o médico com mais alegria do que aquele que está bem; ora, os aflitos são os enfermos, e o Consolador é o médico.

Vós que combateis o Espiritismo, se quereis que renunciemos a ele para seguir-vos, dai, pois, mais e melhor do que ele; curai, com maior segurança, as feridas da alma. Dai mais consolações, mais satisfações ao coração, esperanças mais legítimas, certezas maiores; fazei do futuro um quadro mais racional, mais sedutor; mas não penseis em destruí-lo, vós, com a perspectiva da nada; vós, com a alternativa das chamas do inferno ou da beata e inútil contemplação perpétua.

45. – A primeira revelação estava personificada em Moisés, a segunda no Cristo; a terceira não está em nenhum indivíduo. As duas primeiras são individuais, a terceira é coletiva; está aí um caráter essencial de uma grande importância. Ela é coletiva no sentido de que não foi feita como privilégio a pessoa alguma; que ninguém, por conseguinte, pode dela se


aproveitarem essa educação, dela gozarão, certamente, mais tarde, seja como Espíritos, seja como homens. Talvez eles sejam de novo os pais dessas mesmas crianças, de quem se dirá felizmente dotadas pela Natureza, e que devem as suas aptidões a uma precedente educação; do mesmo modo, se os filhos acabam mal pela negligência dos seus pais, estes podem ter que sofrer, mais tarde, pelos dissabores e desgostos que lhes suscitarão, em uma nova existência.

(O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V, nº 21: Mortes prematuras).