A GÊNESE - CAPÍTULO PRIMEIRO 1684

47. – Esta circunstância, inaudita na história das doutrinas, deu a esta uma força excepcional e um poder de ação irresistível; com efeito, se a reprimem num ponto, em um país, é materiamente impossível reprimi-la em todos os pontos, em todos os países. Por um lugar onde seja entravada, haverá mil ao lado, onde ela florescerá. Ainda mais, se a atingem num indivíduo, não se podem atingi-la nos Espíritos que lhe são a fonte. Ora, como os Espíritos estão por toda a parte, e haverá deles sempre, se, por impossível, se chegasse a abafá-la em todo o globo, ela reapareceria algum tempo depois, porque repousa sobre um fato, e esse fato está na Natureza, e não se podem suprimir as leis da Natureza. Eis do que devem se persuadir os que sonham com o aniquilamento do Espiritismo. (Revista Espírita, fev. 1865, pág. 38: Perpetuidade do Espiritismo).

48. – Entretanto, disseminados esses centros, teriam podido permanecer muito tempo isolados uns dos outros, confinados que estão alguns em países longínquos. Entre eles seria preciso um traço de união que os pusesse em comunhão de pensamentos com os seus irmãos em crença, dando-lhes a conhecer o que se fazia em outra parte. Esse traço de união, que teria faltado ao Espiritismo na antiguidade, encontra-se nas publicações que vão por toda parte, que condensam, sob uma forma única, concisa e metódica, o ensinamento, dado por toda parte, sob formas múltiplas e em línguas diversas.

49. – As duas primeiras revelações não poderiam ser senão o resultado de um ensinamento direto; deviam impor-se à fé pela autoridade da palavra do Mestre, não estando os homens bastante avançados para concorrerem na sua elaboração.

Notemos, todavia, entre elas uma nuança bem sensível que se prende ao progresso dos costumes e das idéias, se bem que tenham sido produzidas no mesmo meio, mas, após dezoito séculos de intervalo. A doutrina de Moisés é absoluta,


poderíamos nos envaidecer, uma vez que a origem não nos pertence. O nosso maior mérito é o da perseverança e do devotamento à causa que abraçamos. Em tudo isso, fizemos o que outros poderiam fazer igual a nós; por isso, nunca tivemos a pretensão de nos crer profeta ou messias, e ainda menos de nos dar como tal.