A GÊNESE - CAPÍTULO PRIMEIRO 1688

harmonia, abarcar de um golpe de vista o edifício e verem, em todo esse conjunto, um objetivo grande e humanitário (1).

Mas como saber se um princípio é ensinado por toda parte ou se não é senão o resultado de uma opinião pessoal? Os grupos isolados, não estando no caso de saberem o que se diz em outra parte, era necessário que um centro reunisse todas as instruções para fazer uma espécie de escrutínio, e levar ao conhecimento de todos a opinião da maioria (2).

54. – Não há nenhuma ciência que, em todas as suas partes, tenha saído do cérebro de um homem; todas, sem exceção, são produtos de observações sucessivas apoiando-se sobre as observações precedentes, como sobre um ponto conhecido para chegar ao desconhecido. Foi assim que os


(1) Um testemunho significativo, tão notável quanto tocante, dessa comunhão de pensamentos que se estabeleceu entre os Espíritas pela conformidade das crenças, são os pedidos de preces que nos vêm dos mais distantes países, desde o Peru às extremidades da Ásia, da parte de pessoas de religiões e de nacionalidades diversas, e que jamais vimos. Não está aí o prelúdio da grande unificação que se prepara? A prova das bases sérias que, por toda parte, toma o Espiritismo?

É notável que, de todos os grupos que se formaram com a intenção premeditada de fazer cisão, proclamando princípios divergentes, assim como aqueles que, por razões de amor-próprio ou outras quaisquer, não querendo parecer sujeitarem-se à lei comum, se consideraram bastante fortes para caminharem sozinhos, com bastante luzes para se absterem de conselhos, nenhum chegou a constituir uma idéia preponderante e viável; todos se extinguiram ou vegetaram na sombra. Como poderia ser de outro modo, desde que, para se distinguirem, em lugar de se esforçarem em dar maior soma de satisfações, rejeitaram os princípios da Doutrina, precisamente aquilo que nela se faz o mais poderoso atrativo, o que há de mais consolador, de mais encorajante e de mais racional? Se tivessem compreendido a força dos elementos morais que constituíram a unidade, não estariam embalados por uma ilusão quimérica; mas, tomando o seu pequeno círculo pelo universo, não viram nos adeptos senão uma sociedade que poderia ser derrubada, facilmente, por uma contra-sociedade. Era enganar-se estranhamente sobre os caracteres essenciais da Doutrina, e esse erro não podia conduzir senão a decepções; em lugar de romper a unidade, eles quebraram o único laço que poderia dar-lhes a força e a vida. (Ver a Revista Espírita, abril 1866, págs. 106 e 111: O Espiritismo sem os Espíritos; o Espiritismo independente).

(2) Tal é o objetivo das nossas publicações, que podem ser consideradas como o resultado desse escrutínio. Todas as opiniões nelas são discutidas, mas as questões não são enunciadas em princípios, senão depois de terem recebido a consagração de todos os controles, os únicos que podem dar-lhes força de lei, e permite afirmá-los. Eis porque não preconizamos, levianamente, nenhuma teoria, e é nisso que a Doutrina, procedendo do ensinamento geral, não é o produto de um sistema preconcebido; é também o que faz a sua força e assegura o seu futuro.