A GÊNESE - CAPÍTULO PRIMEIRO 1690

igualmente, porque a Doutrina, para cumprir os objetivos do Criador, não poderia ser obra de um único Espírito, nem de um único médium; não poderia sair senão da coletividade dos trabalhos, controlados uns pelos outros (1).

55. – O último caráter da revelação espírita, e que ressalta das próprias condições nas quais está feita, é que, apoiando-se sobre fatos, não pode ser senão essencialmente progressiva, como todas as ciências de observação. Por sua essência, contrai aliança com a ciência que, sendo a exposição das leis da Natureza em certa ordem de fatos, não pode ser contrária à vontade de Deus, autor dessas leis. As descobertas da ciência glorificam  Deus em lugar de diminuí-lo; elas não destróem senão o que os homens estabeleceram sobre as idéias falsas que fizeram de Deus.

O Espiritismo não coloca, pois, como princípio absoluto, senão o que está demonstrado como evidência, ou que ressalta logicamente da observação. Tocando em todos os ramos da economia social, às quais presta o apoio de suas próprias descobertas, assimilará sempre todas as doutrinas progressivas, de qualquer ordem que sejam, chegadas ao estado de verdades práticas, e saídas do domínio da utopia; sem isso se suicidaria; cessando de ser o que é, mentiria à sua origem e ao seu fim providencial. O Espiritismo, caminhando com o progressso, não será jamais ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro sobre um ponto, modificar-se-á sobre esse ponto; se uma nova verdade se revela, ele a aceita (2).

56 – Qual a utilidade da doutrina moral dos Espíritos, uma vez que não é outra senão a do Cristo? O homem tem necessidade de uma revelação e não pode encontrar em si mesmo tudo o que lhe é necessário para se conduzir?


(1) Ver em O Evangelho Segundo o Espiritismo, introdução, pág. VI, e Revista Espírita abril 1864, pág. 90: Autoridade da Doutrina Espírita; controle universal do ensinamento dos Espíritos.

(2) Diante de declarações tão claras e tão categóricas, como as que estão contidas neste capítulo, caem todas as alegações de tendência ao absolutismo e à autocracia dos princípios, todas as falsas assimilações que pessoas prevenidas ou mal informadas, prestam à Doutrina. Estas declarações, aliás, não são novas; nós as temos repetido bastante em nossos escritos para não deixar nenhuma dúvida a esse respeito. Nos assinalam, por outro lado, o nosso verdadeiro papel, o único que ambicionamos: o de trabalhador.