A GÊNESE - CAPÍTULO PRIMEIRO 1691

Sob o ponto de vista moral, Deus, sem dúvida, deu ao homem um guia na sua consciência, que lhe diz: "Não faça a outrem o que não queres que se te faça." A força natural está certamente inscrita no coração dos homens, mas todos sabem lê-la? Nunca desprezaram os seus sábios preceitos? Que fizeram da moral do Cristo? Como a praticam aqueles mesmos que a ensinam? Não se tornou uma letra morta, uma bela teoria, boa para os outros e não para si? Censurais a um pai por repetir dez vezes, cem vezes as mesmas instruções aos seus filhos, se não as aproveitam? Por que Deus faria menos do que um pai de família? Por que não enviaria, de tempos em tempos, entre os homens, mensageiros especiais encarregados de chamá-los aos seus deveres, de reconduzi-los ao bom caminho quando dele se afastam, de abrirem os olhos da inteligência àqueles que os têm fechados, como os homens mais avançados enviam missionários entre os selvagens e os bárbaros?

Os Espíritos não ensinam outra moral senão a do Cristo, pela razão de que não há outra melhor. Mas, então, para que servem os seus ensinamentos, uma vez que não dizem senão o que nós sabemos? Poder-se-ia dizer tanto da moral do Cristo, que foi ensinada quinhentos anos antes dele por Sócrates e Platão, e em tempos quase idênticos; de todos os moralistas, que repetem a mesma coisa em todos os tons e sob todas as formas. Pois bem! os Espíritos vêm simplesmente aumentar o número dos moralistas, com a diferença que, manifestando-se em toda parte, se fazem ouvir tanto na choupana quanto no palácio, pelos ignorantes como pelas pessoas instruídas.

O que o ensinamento dos Espíritos acrescenta à moral do Cristo é o conhecimento dos princípios que ligam os mortos e os vivos, que completam as noções vagas que havia dado da alma, de seu passado e de seu futuro, e que dão por sanção à doutrina as próprias leis da Natureza. Com a ajuda das novas luzes trazidas pelo Espiritismo e os Espíritos, o homem compreende a solidariedade que liga todos os seres; a caridade e a fraternidade tornam-se necessidade social; faz por convicção o que não fazia senão por dever e o faz melhor.

Quando os homens praticarem a moral do Cristo, só então poderão dizer que não têm mais necessidade de moralistas, encarnados ou desencarnados; mas, então, também Deus não mais lhos enviará.