A GÊNESE - CAPÍTULO PRIMEIRO 1692

57. – Uma das mais importantes questões, entre as que estão colocadas no alto deste capítulo é esta: Qual é a autoridade da revelação espírita, uma vez que emana de seres cujas luzes são limitadas, e que não são infalíveis?

A objeção seria séria se essa revelação não consistisse senão do ensinamento dos Espíritos, se devêssemos tê-la deles exclusivamente e aceitá-la de olhos fechados; ela é sem valor desde o instante em que o homem lhe traz o concurso de sua inteligência e de seu julgamento; que os Espíritos se limitam a colocá-lo no caminho das deduções que pode tirar da observação dos fatos. Ora, as manifestações e suas inumeráveis variedades são fatos; o homem os estuda, neles procura a lei; e é ajudado, neste trabalho, pelos Espíritos de todas as ordens, que são antes colaboradores do que reveladores, no sentido usual da palavra; submete as suas declarações ao controle da lógica e do bom senso; desta maneira, ganha conhecimentos especiais que eles oferecem na sua posição, sem abdicarem do uso da sua própria razão.

Os Espíritos, não sendo outros senão as almas dos homens, em nos comunicando com eles, não saímos da Humanidade, circunstância capital a se considerar. Os homens de gênio, que foram a luz da Humanidade saíram, pois, do mundo dos Espíritos, como nele reentraram deixando a Terra. Desde que os Espíritos podem se comunicar com os homens, esses mesmos gênios podem lhes dar instruções sob a forma espiritual, como o fizeram sob a forma corpórea; podem nos instruir depois da sua morte como o fizeram em sua vida; são invisíveis em lugar de serem visíveis, eis toda a diferença. A sua experiência e o seu saber não devem ser menores, e se a sua palavra, como homens, tinha autoridade, não a deve ter menos porque estão no mundo dos Espíritos.

58. – Mas não são apenas os Espíritos superiores que se manifestam, são também os Espíritos de todas as ordens, e isso era necessário para nos iniciar no verdadeiro caráter do mundo espiritual, no-lo mostrando sob todas as suas faces; com isso, as relações entre o mundo visível e o mundo invisível são mais íntimas, a conexão é mais evidente; vemos mais claramente, de onde viemos e para onde vamos; tal é o objetivo essencial das comunicações. Todos os Espíritos, a qualquer grau que tenham chegado, nos ensinam, pois, alguma coisa, mas, como são mais ou menos esclarecidos, cabe a nós discernir o que há neles de bom e de mau, e de tirar