A GÊNESE - CAPÍTULO SEGUNDO 1709

se depura, dele tem uma intuição mais distinta; se não o vê, compreende-o melhor: a luz é menos difusa. Então, pois, quando os Espíritos dizem que Deus lhes proíbe responder a tal pergunta, não é Deus que lhes aparece, ou lhes dirige a palavra para prescrever-lhes ou interditar-lhes tal ou tal coisa; não; mas o sentem, recebem os eflúvios do seu pensamento, tal como nos ocorre com relação aos Espíritos que nos envolvem em seu fluido, embora não os vejamos.

36. – Nenhum homem pode, pois, ver Deus com os olhos da carne. Se esse favor fosse concedido a alguns, isso não seria senão o estado de êxtase, quando a alma está tanto mais liberta dos laços da matéria, quanto isso seja possível durante a encarnação. Um tal privilégio, aliás, não seria senão o das almas de escol, encarnadas em missão, e não em expiação. Mas, tendo em vista que os Espíritos de ordem mais elevada resplandecem num brilho ofuscante, pode ser que Espíritos menos elevados, tocados pelo esplendor que os envolve, tenham acreditado ver o próprio Deus. Tal se vê, às vezes, um ministro ser tomado pelo seu soberano.

37. – Sob qual aparência Deus se apresenta àqueles que se fizeram dignos desse favor? Será sob uma forma qualquer? Igual a uma figura humana, ou igual a um foco resplandecente de luz? Eis o que a linguagem humana é impotente para descrever, porque não existe, para nós, nenhum ponto de comparação que, dele, possa dar uma idéia; somos iguais a cegos a quem se procuraria, em vão, fazer compreender a luz do Sol. Nosso vocabulário está limitado às nossas necessidades e ao círculo das nossas idéias; o dos selvagens não poderia pintar as maravilhas da civilização; o dos povos mais civilizados é muito pobre para descrever os esplendores dos céus; a nossa inteligência muito limitada para compreendê-los, e a nossa visão, muito fraca, por eles seria ofuscada.