A GÊNESE - CAPÍTULO TERCEIRO 1712

não tivesse nada a temer, nenhuma necessidade o levaria à procura dos meios, seu espírito se entorpeceria na inatividade; não inventaria nada e não descobriria nada. A dor é o aguilhão que impele o homem para a frente, no caminho do progresso.

6. – Mas   os mais numerosos males são aqueles que o  homem cria para si mesmo, pelos seus próprios vícios, aqueles  que  provêm de   seu orgulho, de seu egoísmo, de sua ambição, de sua cupidez, de seus excessos em todas as coisas;  aí está a causa das guerras e das calamidades que elas  arrastam, dissenções, injustiças, opressão do fraco pelo forte, enfim, a maioria das doenças.

Deus estabeleceu leis, plenas de sabedoria, que não têm por objetivo senão o bem; o homem encontra, em si mesmo,  tudo o que é necessário para segui-las; sua rota está traçada pela sua consciência; a lei divina está gravada no seu coração; e, além disso, Deus o chama, sem cessar, através dos seus messias e profetas, por todos os Espíritos encarnados que receberam a missão de esclarecê-lo, moralizá-lo, melhorá-lo, e, nestes últimos tempos, pela multidão de Espíritos desencarnados que se manifestam por toda parte. Se o homem se conformasse, rigorosamente, com as leis divinas, não há dúvida de que evitaria os mais pungentes males, e que viveria feliz sobre a Terra. Se não o faz, é em virtude do seu livre arbítrio, e, disso sofre as conseqüências. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V, nºs 4, 5, 6 e seguintes).

7. – Mas Deus, cheio de bondade, colocou o remédio ao lado do mal, quer dizer, do próprio mal faz sair o bem. Chega   um  momento em que o excesso do mal moral se torna intolerável, e faz o homem sentir o desejo de mudar de caminho; instruído pela experiência, é compelido a procurar um remédio no bem, sempre por efeito do seu livre arbítrio; quando entra num caminho melhor, é pelo fato da sua vontade e  porque reconheceu os inconvenientes do outro caminho. A necessidade o constrange, pois, a se melhorar moralmente, para ser mais feliz, como esta mesma necessidade o constrange a melhorar as condições materiais da sua existência (nº 5).

8. – Pode-se dizer que o mal é a ausência do bem, como o frio é a ausência do calor. O mal não é mais um atributo distinto do que o frio não é um fluido especial; um é o negativo