A GÊNESE - CAPÍTULO TERCEIRO 1721

Pelo espetáculo incessante da destruição, Deus ensina aos homens o pouco caso que devem fazer do envoltório material, e suscita neles a idéia da vida espiritual, em lhes fazendo desejá-la como uma compensação.

Deus, dir-se-á, não poderia chegar ao mesmo resultado por outros meios, e sem obrigar os seres vivos a se entredestruírem? Se tudo é sabedoria na sua obra, devemos supor que essa sabedoria não deve falhar mais sobre esse ponto do que sobre os outros; se não o compreendemos, é preciso atribuir ao nosso adiantamento. Todavia, podemos experimentar procurando-lhe a razão, tomando por bússola este princípio: Deus deve ser infinitamente justo e sábio; procuremos, pois, em tudo, sua justiça e sua sabedoria, e inclinemo-nos  diante do que ultrapassa o nosso entendimento.

22 – Uma primeira utilidade, que se apresenta nessa destruição, utilidade puramente física, é verdade, é esta: os corpos orgânicos não se mantêm senão com a ajuda de matérias orgânicas, só essas matérias contendo os elementos nutritivos necessários à sua transformação. Os corpos, instrumentos da ação do princípio inteligente, tendo necessidade de serem, incessantemente, renovados, a Providência fá-los servir à sua manutenção mútua; é por isso que os seres se nutrem uns dos outros; é, então, o corpo que se nutre do corpo, mas o Espírito não é nem aniquilado, nem alterado; não é senão despojado do seu envoltório (1).

23. – Há, por outro lado, considerações morais de ordem mais elevada.

A luta é necessária ao desenvolvimento do Espírito; é na luta que ele exerce as suas faculdades. Aquele que ataca, para obter a sua nutrição, e aquele que se defende, para conservar a sua vida, rivalizam em astúcia e inteligência, e aumentam, por isso mesmo, suas forças intelectuais. Um dos dois sucumbe; mas, que é que, em realidade, o mais forte ou o mais hábil retirou do mais fraco? Seu vestuário de carne, nenhuma outra coisa; o Espírito, que não está morto, retomará um outro mais tarde.

24. – Nos seres inferiores da criação, naqueles em que


(1) Ver Revista Espírita de agosto de 1864, pág. 241, Extinção das raças.