A GÊNESE - CAPÍTULO QUARTO 1723

CAPÍTULO IV

PAPEL DA CIÊNCIA NA GÊNESE

1. – A história da origem de quase todos os povos antigos se confunde com a da sua religião; por isso, os seus primeiros livros foram livros religiosos; e, como todas as religiões se prendem ao princípio das coisas, que são, também, o da Humanidade, deram, sobre a formação e disposição do Universo, explicações em relação com o estado dos conhecimentos da época, e dos seus fundadores. Disso resultou que os primeiros livros sagrados foram, ao mesmo tempo, os primeiros livros de ciência, como foram, durante muito tempo, o único código das leis civis.

2. – Nos tempos primitivos, os meios de obervação eram, necessariamente, muito imperfeitos, as primeiras teorias sobre o sistema do mundo deviam estar maculadas por erros grosseiros; mas tivessem sido esses meios tão completos como o são hoje, os homens não teriam sabido deles se servirem; aliás, não podiam ser senão o fruto do desenvolvimento da inteligência e do conhecimento sucessivo das leis da Natureza. À medida que o homem avançou no conhecimento dessas leis, penetrou os mistérios da criação, e retificou as idéias que fez sobre a origem das coisas.

3. – O homem foi incapaz de resolver os problemas da criação até o momento em que a chave deles lhe foi dada pela ciência. Foi necessário que a astronomia lhe abrisse as portas do  espaço  infinito e lhe permitisse nele mergulhar seus olhares; que, pelo poder do cálculo, pudesse determinar, com precisão rigorosa, o movimento, a posição, o volume, a natureza e o papel dos corpos celestes; que a física lhe revelasse as leis da gravidade, do calor, da luz e da eletricidade; que a química lhe ensinasse as transformações da matéria, e a