A GÊNESE - CAPÍTULO QUARTO 1729

Tal é o inevitável efeito das épocas de transição: o edifício do passado desmorona, e o do futuro não está ainda construído. O homem está como o adolescente, que não tem mais a crença ingênua dos primeiros anos, e não tem, ainda, os conhecimentos da idade madura; não tem senão vagas aspirações que não sabe definir.

15. – Se a questão do homem espiritual permaneceu, até os nossos dias, no estado de teoria, foi porque faltaram os meios de observação direta, que se teve para constatar o estado do mundo material, e o campo permaneceu aberto às concepções do espírito humano. Enquanto o homem não conheceu as leis que regem a matéria, e não pôde aplicar o método experimental, errou de sistema em sistema com relação ao mecanismo do Universo e a formação da Terra. E isso ocorreu tanto na ordem moral quanto na ordem física; para fixar as idéias, tem faltado o elemento essencial: o conhecimento das leis do princípio espiritual. Esse conhecimento estava reservado para a nossa época, como o das leis da matéria foi obra dos dois últimos séculos.

16. – Até o presente, o estudo do princípio espiritual, compreendido na Metafísica, foi puramente especulativo e teórico; no Espiritismo, é todo experimental. Com a ajuda da faculdade medianímica, mais desenvolvida, de nossos dias, e, sobretudo, generalizada e melhor estudada, o homem se acha na posse de um novo instrumento de observação. A mediunidade foi, para o mundo espiritual, o que o telescópio foi para o mundo astral, e o microscópio para o mundo dos infinitamente pequenos; permitiu explorar, estudar, por assim dizer, de visu, suas relações com o mundo corpóreo; isolar, no homem vivente, o ser inteligente do ser material, e de vê-los agirem separadamente. Uma vez em relação com os habitantes desse mundo, pôde-se seguir a alma em sua caminhada ascendente, em suas migrações, em suas transformações; pôde-se, enfim, estudar o elemento espiritual. Eis o que faltava aos precedentes comentaristas da Gênese, para compreendê-la e retificar-lhe os erros.

17. – O mundo espiritual e o mundo material, estando em contato incessante, são solidários um com o outro; ambos têm sua parte de ação na Gênese. Sem o conhecimento das leis que regem o primeiro, seria tão impossível constituir uma Gênese completa, quanto o é, a um estatuário, dar vida