A GÊNESE - CAPÍTULO QUINTO 1734

imaginação, desde a dos Indianos, que a diziam levada por quatro elefantes brancos, e estes sobre as asas de um imenso abutre. Os mais sábios confessavam que nada sabiam a respeito.

9. – Entretanto,  uma  opinião  geralmente  difundida nas teogonias pagãs colocava nos lugares baixos, ou seja, nas  profundezas da Terra, ou abaixo, não se sabia mais, a morada  dos condenados, chamada inferno, quer dizer, lugares inferiores, e, nos lugares altos, além da região das estrelas, a morada dos felizes. A palavra inferno se conserva até os nossos dias, embora tenha perdido o seu significado etimológico, desde que a geologia desalojou o lugar dos suplícios eternos  das  entranhas  da Terra, e que a astronomia demonstrou que não há nem alto e nem baixo no espaço infinito.

10. – Sob o céu limpo da Caldéia, da Índia e do Egito, berço das mais antigas civilizações, pôde-se observar o movimento dos astros com tanta precisão quanto o permitia a ausência de instrumentos especiais. Viu-se, primeiro, que certas estrelas tinham um movimento próprio, independente da massa, o que não permitia mais supor que estivessem pregadas na abóbada; foram chamadas de estrelas errantes ou planetas para distingui-las das estrelas fixas. Calcula-se o seu movimento e os seus retornos periódicos.

No movimento diurno da abóbada estrelada, nota-se a imobilidade da estrela polar, ao redor da qual as outras descreviam, em vinte e quatro horas, círculos oblíquos paralelos, mais ou menos grandes, segundo a sua distância da estrela central; esse foi o primeiro passo para o conhecimento da obliqüidade do eixo do mundo. As viagens mais longas permitiram observar a diferença dos aspectos do céu, segundo as latitudes, as estações; a elevação da estrela polar, acima do horizonte, variando com a latitude, pôs sobre o caminho da redondeza da Terra; foi assim que, pouco a pouco, se fez uma idéia mais justa do sistema do mundo.

Cerca de 600 antes de J.C., Thales, de Mileto (Ásia Menor), descobre a esfericidade da Terra, a obliqüidade da eclíptica e a causa dos eclipses.

Um século mais tarde, Pitágoras, de Samos, descobre o movimento diurno da Terra sobre o seu eixo, seu movimento anual ao redor do Sol, e liga os planetas e os cometas ao sistema solar.