O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. VI - VIDA ESPÍRITA 174

por um canal limitado, é generalizada. Ora, como na realidade ele não é mais que um agente de transmissão, pois é no Espírito que está a consciência, resulta disso que se pudesse existir um perispírito sem Espírito, ele não sentiria mais do que um corpo morto. Da mesma forma, se o Espírito não tivesse o perispírito, seria inacessível a toda a sensação penosa, como ocorre com os Espíritos completamente purificados. Sabemos que quanto mais eles se purificam, mais a essência do perispírito se torna etérea, do que se segue que a influência material diminui à medida que o Espírito progride, quer dizer, à medida que o próprio perispírito se torna menos grosseiro.

Mas, dir-se-á, as sensações agradáveis são transmitidas ao Espírito pelo perispírito, da mesma forma que as sensações desagradáveis; ora, se o Espírito puro é inacessível a umas, deve ser igualmente a outras. Sim, sem dúvida, para aquelas que provêm unicamente da influência da matéria que conhecemos: o som dos nossos instrumentos, o perfume de nossas flores, nenhuma impressão lhe causam. Entretanto, ele experimenta sensações íntimas, de um encanto indefinível que nem podemos imaginar, pois a esse respeito somos como cegos de nascença em relação à luz: sabemos que ela existe, mas por que meio? Aí se detém a nossa ciência.

Sabemos que existe percepção, sensação, audição, visão; que essas faculdades são atributos de todo o ser, e não, como no homem, de uma parte do ser; mas, ainda uma vez, por que intermediário? É o que não sabemos. Os próprios Espíritos não pode nos dar conta, visto que nossa linguagem não está em condições de exprimir as idéias que não temos, da mesma forma que a língua dos selvagens não tem termos para exprimir nossas artes, nossas ciências e nossas doutrinas filosóficas.

Dizendo que os Espíritos são inacessíveis às impressões da nossa matéria, queremos falar dos Espíritos muito elevados, cujo envoltório etéreo não encontra analogia em nosso mundo. O mesmo não ocorre com os de perispírito mais denso, que percebem os nossos sons e os nossos odores, embora não o façam por uma parte da sua individualidade, como quando em vida. Poder-se-ia dizer que as vibrações moleculares se fazem sentir em todo o ser e chegam, assim, ao seu sensorium commune, que é o próprio Espírito, embora de um modo diferente, e pode ser também com uma