A GÊNESE - CAPÍTULO SEXTO 1740

não quero senão estabelecer a sua infinidade, a fim de que os nossos estudos ulteriores não tenham nenhuma barreira a opor-se às investigações de nosso objetivo.

Ora, digo que o espaço é infinito, pela razão de que é impossível supor-lhe algum limite, e que, malgrado a dificuldade que temos em conceber o infinito, todavia, nos é mais fácil ir eternamente no espaço, em pensamento, do que nos deter num lugar qualquer, depois do qual não encontraremos nenhuma extensão a percorrer.

Para figurarmos o infinito do espaço, enquanto o façamos com as nossas faculdades limitadas, suponhamos que, partindo da Terra, perdido no meio do Infinito, junto de um ponto qualquer do Universo, e isso com a velocidade prodigiosa da centelha elétrica, que transpõe milhares de léguas a cada segundo, apenas deixamos este globo, tendo percorrido milhões de léguas, encontramo-nos em um lugar de onde, a Terra, não nos aparece mais senão sob o aspecto de uma pálida estrela. Um instante depois, em seguindo sempre a mesma direção, chegamos perto das estrelas longínquas que distinguis, com dificuldade, da vossa estação terrestre; e, dali, não somente a Terra está perdida para os vossos olhares, nas profundezas do céu, mas, ainda, mesmo o vosso Sol, em seu esplendor, está eclipsado pela extensão que nos separa dele. Animados, sempre, com a mesma velocidade da luz, transporemos sistemas de mundos a cada passo que avancemos na extensão, ilhas de luz etérea, caminhos estelares, paragens suntuosas, onde Deus semeou os mundos com a mesma profusão que semeou as plantas nas pradarias terrestres.

Ora, faz apenas alguns minutos que caminhamos, e já centenas de milhões e de milhões de léguas nos separam da Terra, milhares de mundos passaram sob os nossos olhares, e, todavia, escutai! Não avançamos, em realidade, um único passo no Universo.

Se continuarmos, durante anos, séculos, milhares de séculos, milhões de períodos cem vezes seculares e, incessantemente, com a mesma velocidade da luz, não teremos avançado mais! e isso de qualquer lado que formos, e para qualquer ponto que nos dirijamos, desde esse grão invisível que deixamos e que se chama a Terra.