A GÊNESE - CAPÍTULO SEXTO 1746

a possibilidade de estudar as questões naturais, que estão interditadas em sua posição, meu objetivo é, unicamente, o de vos expor a noção geral das leis universais, sem explicar, com detalhes, o modo de ação e a natureza das forças especiais que delas dependem.

10. – Há um fluido etéreo que preenche o espaço e penetra os corpos; esse fluido é o éter ou matéria cósmica primitiva, geradora do mundo e dos seres. São inerentes ao éter as forças que presidiram às metamorfoses da matéria, as leis imutáveis e necessárias que regem o mundo. Essas formas múltiplas, indefinidamente variáveis segundo as combinações da matéria, localizadas segundo as massas, diversificadas em seus modos de ação segundo as circunstâncias e os meios, são conhecidas, na Terra, sob os nomes de gravidade, afinidade, atração, magnetismo, eletricidade ativa; os movimentos vibratórios do agente são conhecidos sob o de som, calor, luz, etc. Em outros mundos, elas se apresentam sob outros aspectos, oferecem outros caracteres, desconhecidos neste, e, na imensa amplidão dos céus, forças em número indefinido se desenvolvem sobre uma escala inimaginável, da qual somos, também, pouco capazes de avaliar a grandeza, igual ao crustáceo, no fundo no Oceano, não o é de abarcar a universalidade dos fenômenos terrestres (1).

Ora, do mesmo modo que não há senão uma única substância simples, primitiva, geradora de todos os corpos, mas diversificada em suas combinações, todas essas forças dependem de uma lei universal diversificada em seus efei-


(1) Tudo reportamos ao que conhecemos, e não compreendemos o que escapa à percepção dos nossos sentidos, mais do que o cego de nascença não compreende os efeitos da luz e a utilidade dos olhos. Pode ocorrer, pois, que, em outros meios, o fluido cósmico tenha propriedades, combinações das quais não temos nenhuma idéia, efeitos apropriados a necessidades que nos são desconhecidas, dando lugar a percepções novas ou a outros modos de percepção. Não compreendemos, por exemplo, que se possa ver sem os olhos do corpo e sem a luz; mas quem nos diz que não existem outros agentes, além da luz, aos quais estão destinados organismos especiais? A visão sonambúlica, que não se detém nem pela distância, nem pelos obstáculos materiais, nem pela obscuridade, disso nos oferece um exemplo. Suponhamos que, em um mundo qualquer, os seres sejam normalmente o que os nossos sonâmbulos não são senão excepcionalmente, não terão necessidade nem da nossa luz, nem dos nossos olhos, e, entretanto, verão o que não podemos ver. Ocorre o mesmo com todas as outras sensações. As condições de vitalidade e de perceptibilidade, as sensações e as necessidades, variam segundo os meios.