A GÊNESE - CAPÍTULO SEXTO 1748

13. – Se compreendemos bem a relação, ou antes a oposição, da eternidade com o tempo, se estamos familiarizados com essa idéia, de que o tempo não é senão uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias, ao passo que a eternidade é essencialmente una, imóvel e permanente, e que não é suscetível de nenhuma medida sob o ponto de vista da duração, compreendamos, que, para ela, não há começo e nem fim.

De outro lado, se nos fizermos uma idéia justa – embora necessariamente bem fraca –, da infinidade do poder divino, compreendemos como é possível que o Universo tenha sempre existido e exista sempre. Do momento em que Deus foi, suas perfeições eternas falaram. Antes que os tempos  tivessem nascido, a eternidade incomensurável recebeu a palavra divina e fecundou o espaço, eterno quanto  ela.

14. – Deus sendo, por sua natureza, de toda a eternidade, criou de toda a eternidade, e isso não poderia ser de outro modo; porque, a qualquer época longínqua que recuemos, na imaginação, os limites supostos da criação, restará sempre, além desse limite, uma eternidade – pesai bem este pensamento, – uma eternidade durante a qual as divinas hipóteses, as volições infinitas, tivessem sido amortalhadas em uma muda letargia,inativa e infecunda, uma eternidade  de  morte  aparente  para o Pai eterno que dá a vida aos seres, de mutismo indiferente para o Verbo que os governa, de esterilidade fria e egoística para o Espírito de amor e de vivificação.

Compreendamos melhor a grandeza da ação divina e sua perpetuidade, sob a mão do ser absoluto! Deus é o Sol dos seres; é a luz do mundo. Ora, a aparição do Sol dá, instantaneamente, nascimento às ondas de luz, que vão se difundir por toda a parte na extensão; do mesmo modo o Universo, nascido do Eterno, remonta aos períodos inimagináveis do infinito de duração, ao Fiat lux! do início.

15. – O começo absoluto das coisas remonta, pois, a Deus; suas aparições sucessivas, no domínio da existência, constituem a ordem da criação perpétua.

Que mortal poderia dizer das magnificências desconhecidas e suntuosamente veladas sob a noite das idades, que se desenvolveram nesses tempos antigos, quando ne-