A GÊNESE - CAPÍTULO SEXTO 1749

nhuma das maravilhas do Universo atual não existiam; nessa época primitiva quando a voz do Senhor tendo-se feito ouvir, os materiais que deveriam, no futuro, juntarem-se simetricamente e por si mesmos, para formarem o templo da Natureza, se encontraram subitamente no seio de vazios infinitos; quando a essa voz misteriosa, que cada criatura venera e adora, como a de uma mãe, notas harmoniosas variadas se produziram para irem vibrar o conjunto e modular o concerto dos vastos céus!

O mundo, no seu berço, não foi estabelecido na sua virilidade e na sua plenitude de vida; não; o poder criador não se contradiz nunca, e, como todas as coisas, o Universo nasceu criança. Revestido de leis, mencionadas mais acima, e do impulso inicial inerente à sua própria formação, a matéria cósmica primitiva dá, sucessivamente, nascimento a turbilhões, a aglomerações desse fluido difuso, a acumulações de matéria nebulosa que se dividiram, elas mesmas, e se modificaram ao infinito, para darem à luz, nas regiões incomensuráveis da extensão, diversos centros de criações simultâneas ou sucessivas.

Em razão das forças que predominaram sobre um, ou sobre outro, e das circunstâncias ulteriores que presidiram aos seus desenvolvimentos, esses centros primitivos tornaram-se focos de uma vida especial: uns, menos disseminados no espaço e mais ricos em princípios e em forças atuantes, começaram, desde então, a sua vida astral particular; os outros, ocupando uma extensão, não aumentaram senão com uma certa lentidão, ou se dividiram de novo em outros centros secundários.

16. – Em nos reportando somente a alguns milhões de séculos, anteriores, à época atual, nossa Terra não existia ainda, nosso próprio sistema solar não tinha ainda começado as evoluções da vida planetária; e, no entanto, já esplêndidos sóis iluminam o éter; já planetas habitados dão a vida e a existência a uma multidão de seres que nos precederam na carreira humana; as produções opulentas de uma natureza desconhecida e os fenômenos maravilhosos do céu desenvolvem, sob outros aspectos, os quadros da imensa criação. Que digo! já os esplendores não são mais os que outrora fizeram palpitar o coração de outros mortais sob o pensamento do infinito poder! E nós, pobres pequenos seres,