A GÊNESE - CAPÍTULO SEXTO 1750

que viemos depois de uma eternidade de vida, nos cremos contemporâneos da criação!

Ainda uma vez, compreendamos melhor a Natureza. Saibamos que a eternidade está antes como depois de nós, que o espaço é o teatro de uma sucessão e de uma simultaneidade inimaginável de criações. Tais nebulosas, que distinguimos com dificuldade nos confins do céu, são aglomerações de sóis em via de formação; tais outras, são vias lácteas de mundos habitados; outras, enfim, o centro de catástrofes ou de ruína. Saibamos que, do mesmo modo que estamos colocados no meio de uma infinidade de mundos, também estamos no meio de uma dupla infinidade de durações anteriores e ulteriores; que a criação universal não está limitada em nós, e que não podemos aplicar esta palavra à formação isolada de nosso pequenino globo.

A CRIAÇÃO UNIVERSAL

17. – Depois de termos remontado, tanto quanto está na nossa fraqueza, até  a  fonte  oculta  de  onde   emanam os  mundos,  como  as gotas de um rio, consideremos a marcha das criações sucessivas e de seus desenvolvimentos seriados.

A matéria cósmica primitiva encerrava os elementos materiais,  fluídicos e vitais, de todos os universos que expõem a sua  magnificência  diante  da   eternidade; ela é a mãe fecunda de todas as coisas, a primeira avó, e, o que é mais, a geratriz eterna. Ela não desapareceu, essa substância  da  qual   provêm   as esferas siderais; não está morta, essa força, porque dá, ainda, incessantemente, a luz a novas criações,  e  recebe,  incessantemente, os princípios reconstituídos  dos  mundos  que se apagam do livro eterno.

A matéria etérea, mais ou menos rarefeita, que permeia os espaços interplanetários; esse fluido cósmico que preenche o mundo, mais ou menos rarefeito nas regiões imensas, ricas em aglomerações de estrelas, mais ou menos condensado ali onde o céu astral não brilha ainda, mais ou menos modificado por diversas combinações segundo as localidades da extensão, não é outra senão a substância