A GÊNESE - CAPÍTULO SEXTO 1755

perfície do mundo lunar; uma sem nenhuma analogia possível com o nosso, porque os corpos fluidos e etéreos lhe são desconhecidos; a outra, ligeiramente relativa à Terra, uma vez que todas as substâncias, as menos densas, se assentaram sobre esse hemisfério. A primeira, perpetuamente voltada para a Terra, sem água e sem atmosfera, se isso, algumas vezes, não está nos limites desse hemisfério sub-terrestre: a outra, rica em fluidos, perpetuamente oposta ao nosso mundo (1).

26. – O número e o estado dos satélites de cada planeta variaram segundo as condições especiais nas quais se formaram. Uns não deram nascimento a nenhum astro secundário, tais  como Mercúrio, Vênus e Marte, ao passo que outros formaram um ou vários deles, como a Terra, Júpiter, Saturno, etc.

27. – Além dos seus satélites ou luas, o planeta Saturno apresenta o fenômeno especial do anel que, visto de longe, parece rodeá-lo como uma branca auréola. Essa formação é, para nós, uma nova prova da universalidade das leis da Natureza. Esse anel é, com efeito, o resultado de uma separação que se operou nos tempos primitivos no equador de Saturno, do mesmo modo que uma zona equatorial escapou da Terra para formar o seu satélite. A diferença consiste em que o anel de Saturno se encontra formado, em


(1) Esta teoria da Lua, inteiramente nova, explica, pela lei da gravitação, a razão pela qual esse astro apresenta, sempre, a mesma face à Terra. Seu centro de gravidade, no lugar de ser no centro da esfera, encontrando-se num dos ponto da sua superfície, e, por conseguinte, atraída para a Terra por uma força maior do que as partes mais leves, a Lua produziria o efeito das figuras chamadas teimosas, que retornam constantemente sobre a sua base, ao passo que os planetas, cujo centro de gravidade está a igual distância da superfície, giram regularmente sobre o seu eixo. Os fluidos vivificantes, gasosos ou líquidos, em conseqüência de sua leveza específica, encontrar-se-iam acumulados no hemisfério superior, constantemente oposto à Terra; o hemisfério inferior, o único que vemos, deles estaria desprovido, e, por conseguinte, impróprio à vida, ao passo que ela reinaria sobre o outro. Se, pois, o hemisfério superior for habitado, seus habitantes jamais viram a Terra, a menos de excursões noutro hemisfério, o que lhes seria impossível, se não há condições necessárias de vitalidade.

Por racional e científica que seja essa teoria, como não pôde ainda ser confirmada por nenhuma observação direta, não pode ser aceita senão a título de hipótese, e como uma idéia podendo servir de referência à ciência; não se pode deixar de convir que essa seja a única, até o presente, que dá uma explicação satisfatória de particularidade que apresenta esse globo.