A GÊNESE - CAPÍTULO SEXTO 1764

SUCESSÃO ETERNA DOS MUNDOS

48. – Vimos que uma única lei, primordial e geral, foi dada ao Universo para assegurar-lhe a estabilidade eterna, e que essa lei geral é perceptível pelos nossos sentidos por várias ações particulares, que chamamos forças diretrizes da Natureza. Vamos mostrar, hoje, que a harmonia do mundo inteiro, considerada sob o duplo aspecto de eternidade e de espaço, está assegurada por essa lei suprema.

49. – Com efeito, se remontarmos à origem primeira das primitivas aglomerações de substância cósmica, já notaremos que, sob o império dessa lei, a matéria sofre as transformações necessárias que a levam do germe ao fruto maduro, e que sob o impulso de forças diversas, nascidas dessa lei, ela percorre a escala das sua revoluções periódicas; primeiro, centro fluídico de movimentos, em seguida, geradora de mundos, mais tarde, núcleo central e atraente de esferas que nasceram em seu seio.

Já sabemos que essas leis presidem à história do Cosmo; o que importa saber, agora, é que elas presidem, igualmente, à destruição dos astros, porque a morte não é uma metamorfose unicamente do ser vivo, mas, ainda,


A nossa Via-Láctea é uma dessas nebulosas; ela conta perto de trinta milhões de estrelas ou sóis, que ocupam menos de algumas centenas de trilhões de léguas de extensão, e, no entanto, não é a maior. Suponhamos somente uma média de 20 planetas circulando ao redor de cada sol, isso faria ao redor de 600 milhões de mundos para o nosso único grupo.

Se pudéssemos nos transportar de nossa nebulosa para uma outra, ali estaríamos como no meio da nossa Via-Láctea, mas com um céu de estrelas dum aspecto diferente; e este, apesar das suas dimensões colossais, em relação a nós, nos apareceria, ao longe, como um pequeno floco lenticular perdido no Infinito. Mas, antes de alcançar a nova nebulosa, seríamos como o viajor que deixa uma cidade e percorre um vasto país desabitado antes de chegar a uma outra cidade; teríamos transposto espaços incomensuráveis, desprovidos de estrelas e de mundos, o que Galileu chama os desertos do espaço. À medida que avançássemos, veríamos a nossa nebulosa fugir atrás de nós, diminuindo de extensão aos nossos olhos, ao mesmo tempo que, diante de nós, se apresentaria aquela para qual nos dirigíssemos, mais e mais distinta, semelhantes à massa de centelhas da bomba de artifício.

Em nos transportando, pelo pensamento, para as regiões do espaço, para além do arquipélago de nossa nebulosa, veríamos todos, ao redor de nós, milhões de arquipélagos semelhantes e de formas diversas, encerrando, cada um milhões de sóis e centenas de milhões de mundos habitados.