A GÊNESE - CAPÍTULO SEXTO 1766

para  se assimilarem a outros corpos, ou para regenerar outros sóis; e essa morte não será um acontecimento inútil a essa terra e nem à suas irmãs: ela renovará, em outras regiões, outras criações de uma natureza diferente, e lá, onde os sistemas de mundos se desvanecem, logo renascerá um novo canteiro de flores mais brilhantes e mais perfumadas.

51. – Assim, a eternidade real e efetiva do Universo está assegurada pelas mesmas leis que dirigem as operações do tempo; assim, os mundos sucedem aos mundos, os sóis aos sóis, sem que o imenso mecanismo dos vastos céus seja jamais atingido em suas gigantescas atividades.

Lá onde os vossos olhos admiram esplêndidas estrelas sob a abóbada das noites; lá onde o vosso espírito contempla as irradiações magníficas que resplandecem sob longínquos espaços, desde há muito tempo, o dedo da morte tem extinguido esses esplendores, há longo tempo, o vazio sucedeu a esses deslumbramentos e recebeu, mesmo, novas criações ainda desconhecidas. A imensa distância desses astros, pela qual a luz que nos enviam gasta milhares de anos para nos alcançar, faz com que recebamos somente hoje os raios que nos enviaram muito tempo antes da criação da Terra, e que admiraremos ainda, durante milhares de anos depois da sua desaparição real (1).

Que são os seis mil anos da Humanidade histórica diante dos períodos seculares? Segundos em vossos séculos? Que são as vossas observações astronômicas diante do estado absoluto do mundo? A sombra eclipsada pelo Sol.

52. – Portanto, aqui como em nossos outros estudos, reconhecemos que a Terra e o homem não são senão nada em comparação com o que existe, e que as mais colossais


(1) Aí está um efeito do tempo que a luz gasta para atravessar o espaço. Sendo a sua velocidade de 70.000 léguas por segundo, ela nos chega do Sol em 8 minutos e 13 segundos. Disso resulta que, se um fenômeno se passa na superfície do Sol, não o perceberemos senão 8 minutos mais tarde, e, pela mesma razão, nós o veremos ainda 8 segundos depois da sua desaparição. Se, em razão de seu afastamento, a luz de uma estrela gasta mil anos para nos alcançar, não veremos essa estrela senão mil anos depois da sua formação. (Ver, para a explicação e a descrição completa desse fenômeno, a Revista Espírita de março e maio de 1867, págs. 93 e 151; resumo de Lumen, pelo Sr. C. Flammarion.)