A GÊNESE - CAPÍTULO SÉTIMO 1780

merosas e profundas rachaduras, pelas quais se derramaria essa matéria.

20. – O segundo efeito desse resfriamento foi o de liquefazer algumas das matérias contidas no ar no estado de vapor, e que se precipitaram na superfície do solo. Então, houve chuvas e lagos de enxofre e de betume, verdadeiros riachos de ferro, de cobre, de chumbo e outros metais fundidos; essas matérias, infiltrando-se nas fissuras, constituíram os veios e filões metálicos.

Sob a influência desses diversos agentes, a superfície granítica experimentou decomposições alternativas; fizeram-se as misturas que formaram os terrenos primitivos, propriamente ditos, distintos da rocha granítica, mas em massas confusas, e sem estratificações regulares.

Vieram sem seguida as águas que, caindo sobre um solo ardente, se vaporizaram de novo, recaíram em chuvas torrenciais, e assim em diante, até que a temperatura lhe permitiu permanecer sobre o solo no estado líquido.

É na formação dos terrenos graníticos que começa a série dos  períodos geológicos, aos quais conviria acrescentar o do estado primitivo  de  incandescência do globo.

21. – Tal foi o aspecto desse primeiro período, verdadeiro caos de todos os elementos confundidos, procurando a sua estabilidade, onde nenhum ser vivo podia existir; também um dos seus caracteres distintivos, em geologia, foi a ausência de todo traço da vida vegetal e animal.

É impossível assinalar uma duração determinada a esse primeiro período, não menos que aos seguintes; mas, segundo o tempo necessário a uma bola de carvão de um volume dado, aquecida ao vermelho branco, para que a sua superfície seja resfriada ao ponto que uma gota d’água possa nela permanecer no estado líquido, calculou-se que, se essa bola tivesse o tamanho da Terra, ser-lhe-iam necessários mais de um milhão de anos.

PERÍODO DE TRANSIÇÃO

22. – No começo do período de transição, a crosta sólida granítica não tinha, ainda, senão um pouco de