A GÊNESE - CAPÍTULO NONO 1805

perturbações locais e inundações mais ou menos consideráveis, pelo deslocamento das águas, a interrupção e a mudança do curso dos rios (1).

DILÚVIO BÍBLICO

4. – O dilúvio bíblico, designado também sob o nome de grande dilúvio asiático, é um fato cuja existência não pode ser contestada. Deve ter sido ocasionado pelo soerguimento de uma parte das montanhas desse continente, como o do México. O que vem em apoio a essa opinião é a existência de um mar interior, que se estendia outrora do mar Negro ao oceano Boreal, atestado pelas observações geológicas. O mar d’Azoff, o mar Cáspio, cujas águas são salgadas, embora não se comuniquem com nenhum outro mar; o lago Aral, e os inumeráveis lagos espalhados nas imensas planícieis da Tartária e as estepes da Rússia, parecem ser os restos desse antigo mar. Quando do soerguimento das montanhas do Cáucaso, posterior ao dilúvio universal, uma parte dessas águas refluiu para o norte, para o oceano Boreal; a outra para o sul, para o oceano Índico. Estas inundaram e devastaram precisamente a Mesopotâmia, e toda a região habitada pelos ancestrais do povo hebreu. Embora esse dilúvio não tenha se estendido numa superfície bastante grande, um ponto hoje averiguado é que


(1) O último século oferece um exemplo notável de um fenômeno desse gênero. A seis dias de caminho da cidade do México, encontrava-se, em 1750, uma região fértil e bem cultivada, onde cresciam, em abundância, meses inteiros.No noite de 28 ou 29 de setembro, a Terra teve uma violenta convulsão; um terreno de várias léguas de extensão soergueu-se pouco a pouco e acabou por atingir uma altura de 500 pés, sobre uma superfície de 10 léguas quadradas. O terreno ondulou como as vagas do mar sob o sopro da tempestade; milhares de montículos se elevavam e se abaixavam sucessivamente; enfim, um abismo de quase três léguas se abriu; a fumaça, o fogo, as pedras abrasadas, as cinzas foram lançadas a uma altura prodigiosa. Seis montanhas surgiram desse abismo escancarado, entre as quais o vulcão, ao qual se deu o nome de Jorullo, se eleva agora a 550 metros acima da antiga planície. No momento em que começava o tremor do solo, os dois rios, Cuitimba e Rio San-Pedro, refluindo para trás, inundaram toda a planície ocupada hoje pelo Jarullo; mas, no terreno que subia sempre, um abismo se abriu e os engoliu. Eles reapareceram a oeste, num ponto muito distante do seu antigo leito. (Louis Figuier, La Terra avant le déluge, página 370.)